Cirrose Hepática e Rastreio de Carcinoma Hepatocelular

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Assinale a alternativa correta sobre as doenças hepáticas:

Alternativas

  1. A) Pacientes portadores de cirrose hepática devido à infecção pelo vírus da hepatite B não necessitam de exames de rastreio para carcinoma hepatocelular.
  2. B) A dieta de todo paciente cirrótico, complicado com ascite e encefalopatia hepática, deve incluir restrição de água e proteínas.
  3. C) Artropatia, diabetes mellitus e insuficiência cardíaca congestiva são possíveis complicações de uma doença hereditária caracterizada por mutação do gene HFE.
  4. D) Manifestações extra-hepáticas da infecção por hepatite C incluem líquen plano, porfiria cutânea tardIa e poliarterite nodosa.
  5. E) O anel de Kayser-Fleischer é observado em pacientes com doença hepática caracterizada por sobrecarga de ferro.

Pérola Clínica

Cirrose por HBV → rastreio obrigatório para HCC (USG + AFP a cada 6 meses).

Resumo-Chave

Pacientes com cirrose hepática, especialmente por vírus da hepatite B, possuem alto risco de desenvolver carcinoma hepatocelular. O rastreio regular com ultrassonografia abdominal e dosagem de alfa-fetoproteína a cada 6 meses é essencial para detecção precoce e melhor prognóstico.

Contexto Educacional

A vigilância para carcinoma hepatocelular (HCC) é um pilar fundamental no manejo de pacientes com doença hepática crônica avançada, especialmente aqueles com cirrose de qualquer etiologia ou infecção crônica pelo vírus da hepatite B (HBV), mesmo sem cirrose em grupos de alto risco. O objetivo é detectar o tumor em estágios iniciais, quando tratamentos curativos como ressecção cirúrgica, transplante hepático ou ablação ainda são possíveis, melhorando significativamente o prognóstico. O rastreio geralmente envolve a realização de ultrassonografia abdominal e dosagem de alfa-fetoproteína (AFP) a cada 6 meses. É crucial entender que a ausência de sintomas não exclui a necessidade de rastreio, pois o HCC em fase inicial é frequentemente assintomático. A adesão a esses protocolos de vigilância é vital para a prática clínica e para as provas de residência. Além disso, é importante conhecer outras doenças hepáticas e suas particularidades. A hemocromatose hereditária, por exemplo, é uma doença genética de sobrecarga de ferro causada por mutações no gene HFE, que pode levar a complicações sistêmicas graves como diabetes, artropatia e insuficiência cardíaca. A doença de Wilson, por sua vez, é uma desordem do metabolismo do cobre, caracterizada pelo anel de Kayser-Fleischer. As manifestações extra-hepáticas da hepatite C, como líquen plano e porfiria cutânea tardia, também são pontos frequentemente abordados em exames.

Perguntas Frequentes

Quais pacientes com doença hepática necessitam de rastreio para carcinoma hepatocelular?

Pacientes com cirrose de qualquer etiologia e pacientes com hepatite B crônica, mesmo sem cirrose (em algumas populações de alto risco), necessitam de rastreio para HCC.

Quais são as principais manifestações extra-hepáticas da infecção crônica por hepatite C?

As manifestações extra-hepáticas da hepatite C incluem crioglobulinemia mista, líquen plano, porfiria cutânea tardia, glomerulonefrite membranoproliferativa e poliarterite nodosa.

Qual a doença associada à mutação do gene HFE e suas complicações?

A mutação do gene HFE está associada à hemocromatose hereditária, uma doença de sobrecarga de ferro que pode causar artropatia, diabetes mellitus, insuficiência cardíaca, cirrose e hipogonadismo.

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