Cirrose Hepática: Rastreamento de Varizes Esofágicas

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 55 anos com hepatite C crônica se queixa de fadiga. No exame físico, apresenta aranhas vasculares, eritema palmar e o lobo esquerdo do fígado palpável. Não apresenta ascite ou asterixe. Os resultados da análise laboratorial são: aspartato aminotransferase de 100, alanina aminotransferase de 67, fosfatase alcalina de 145 e contagem de plaquetas de 120.000. Na tomografia computadorizada(TC) abdominal é visualizado contorno hepático nodular, colaterais portossistêmicos, mas não há massas. Qual das seguintes alternativas você recomendaria como próximo passo?

Alternativas

  1. A) Biópsia hepática;
  2. B) Endoscopia digestiva alta;
  3. C) Iniciar B-bloqueadores não seletivos;
  4. D) Iniciar espironolactona;
  5. E) Ressonância magnética hepática;

Pérola Clínica

Paciente com cirrose e plaquetopenia (<150.000) ou sinais de hipertensão portal → Endoscopia digestiva alta para rastreio de varizes esofágicas.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais clínicos (aranhas vasculares, eritema palmar) e laboratoriais (plaquetopenia, enzimas hepáticas alteradas) e de imagem (contorno nodular, colaterais) sugestivos de cirrose e hipertensão portal. A endoscopia digestiva alta é o próximo passo para rastrear varizes esofágicas, uma complicação grave da hipertensão portal.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é o estágio final de diversas doenças hepáticas crônicas, como a hepatite C crônica, e é caracterizada por fibrose e nódulos de regeneração, levando à disfunção hepática e hipertensão portal. A hipertensão portal é a principal causa das complicações da cirrose, incluindo ascite, encefalopatia hepática e, mais gravemente, varizes esofágicas com risco de sangramento. O paciente do caso apresenta múltiplos sinais de cirrose descompensada e hipertensão portal: aranhas vasculares, eritema palmar, plaquetopenia e achados na TC de contorno hepático nodular e colaterais portossistêmicos. A ausência de ascite ou asterixe não exclui a presença de hipertensão portal clinicamente significativa. O próximo passo essencial é a endoscopia digestiva alta para rastrear varizes esofágicas. A identificação de varizes permite a profilaxia primária do sangramento, seja com beta-bloqueadores não seletivos ou ligadura elástica, reduzindo significativamente a morbimortalidade. Biópsia hepática não é o próximo passo, pois o diagnóstico de cirrose já está bem estabelecido clinicamente e por imagem.

Perguntas Frequentes

Quando é indicada a endoscopia digestiva alta para rastreamento de varizes esofágicas em pacientes com cirrose?

A endoscopia digestiva alta é indicada para rastreamento de varizes esofágicas em todos os pacientes com diagnóstico de cirrose, ou naqueles com sinais de hipertensão portal, como plaquetopenia (<150.000) ou evidência de colaterais portossistêmicos em exames de imagem.

Quais são os sinais clínicos e laboratoriais que sugerem hipertensão portal em um paciente com hepatopatia crônica?

Sinais clínicos incluem aranhas vasculares, eritema palmar, esplenomegalia, ascite e circulação colateral abdominal. Laboratorialmente, plaquetopenia é um marcador precoce e comum de hipertensão portal.

Qual a importância do rastreamento de varizes esofágicas na cirrose?

O rastreamento é crucial para identificar varizes esofágicas antes que sangrem. A profilaxia primária (com beta-bloqueadores não seletivos ou ligadura elástica) pode prevenir o primeiro episódio de sangramento, que tem alta morbimortalidade.

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