Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2025
De acordo com consenso BAVENO IV, publicado no J Hepatol 2015 sep;63(3):743-52, em quanto tempo devemos repetir o exame de endoscopia digestiva alta (EDA) nos pacientes com cirrose hepática compensada, devido a hepatite C crônica não tratada e ativa, que tiveram resultado de uma primeira EDA de rastreio documentando ausência de varizes esofágicas ou gástricas?
Cirrose compensada SEM varizes na EDA inicial → repetir EDA de rastreio em 2 anos (se a doença hepática estiver ativa/não tratada).
As diretrizes do consenso BAVENO estabelecem os intervalos para o rastreamento endoscópico de varizes esofágicas em pacientes com cirrose. Para pacientes com cirrose compensada e sem varizes na primeira endoscopia, o exame deve ser repetido em 2 anos se a causa da cirrose (como hepatite C ativa) persistir, ou em 3 anos se a etiologia for tratada/inativada.
O rastreamento de varizes esofágicas através da Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é um pilar no manejo de pacientes com cirrose hepática. O objetivo é identificar varizes antes do primeiro episódio de sangramento (hemorragia digestiva alta varicosa), que possui alta mortalidade, e instituir a profilaxia primária quando indicada. Os consensos de BAVENO são as principais diretrizes que orientam essa prática. Para pacientes com diagnóstico recente de cirrose, uma EDA de rastreio é mandatória. O intervalo para o seguimento endoscópico depende dos achados iniciais e do status da doença hepática. De acordo com o consenso BAVENO (incluindo o IV e atualizações posteriores), um paciente com cirrose compensada (ex: Child-Pugh A) que não apresenta varizes na EDA inicial deve repetir o exame em 2 anos, caso a etiologia da doença hepática permaneça ativa (ex: hepatite C não tratada, etilismo ativo). Se a causa da cirrose for tratada e controlada (ex: vírus da hepatite C curado, abstinência alcoólica), o intervalo para repetir a EDA pode ser estendido para 3 anos. É um erro comum indicar repetição anual para todos os casos; este intervalo mais curto é reservado para pacientes que já possuem varizes de fino calibre com baixo risco de sangramento e que não estão em uso de profilaxia farmacológica. O conhecimento preciso dessas diretrizes é fundamental para a prática clínica e para provas de residência.
A cirrose é considerada compensada na ausência de complicações maiores da hipertensão portal. A descompensação é marcada pelo surgimento de ascite, encefalopatia hepática, hemorragia digestiva alta varicosa ou icterícia. A classificação de Child-Pugh ajuda a estratificar a gravidade.
Para varizes de pequeno calibre, a conduta depende do risco de sangramento. Se houver sinais de 'cor vermelha' (red spots) ou se o paciente for Child-Pugh B/C, inicia-se profilaxia com betabloqueador não seletivo (ex: propranolol, carvedilol). Se não houver alto risco, a EDA pode ser repetida em 1 ano.
Os consensos mais recentes, como o BAVENO VII, reforçam o uso de métodos não invasivos para descartar a presença de varizes de alto risco. Pacientes com elastografia hepática <20 kPa e plaquetas >150.000/mm³ têm baixo risco e podem, em alguns casos, adiar a EDA de rastreio inicial.
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