SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Marisa é uma mulher de 58 anos que veio a uma consulta de rotina, pois deseja realizar exames de “check-up”. Ela não tem problemas de saúde nem faz uso de nenhum medicamento. Seu histórico familiar a preocupa, pois sua mãe morreu devido a um câncer de laringe e, por isso, ela deseja realizar uma endoscopia para saber se está tudo bem com sua laringe, pois foi assim que a mãe descobriu o tumor. Ela deseja também realizar exames para verificar suas vitaminas. Quando questionada, refere ser viúva, sexualmente ativa e nega quaisquer sintomas no momento do atendimento. Considerando seus conhecimentos e o caso exposto, julgue o item a seguir.Considerando a alta prevalência de sífilis no Brasil, Marisa deve ser rastreada com teste não treponêmico e teste treponêmico simultâneos.
Rastreio de sífilis → Inicia com 1 teste (geralmente treponêmico/rápido). Testes simultâneos não são rotina.
O rastreamento de sífilis em adultos assintomáticos deve ser feito de forma sequencial, começando preferencialmente por um teste treponêmico (como o teste rápido), seguido de um teste não treponêmico se o primeiro for reagente.
A sífilis é uma infecção sistêmica causada pelo Treponema pallidum, com um aumento significativo de casos no Brasil na última década. O diagnóstico laboratorial baseia-se em dois tipos de testes: treponêmicos (detectam anticorpos específicos contra o T. pallidum) e não treponêmicos (detectam anticorpos contra antígenos cardiolipínicos). Na Atenção Primária, o uso de Testes Rápidos (treponêmicos) facilitou o acesso ao diagnóstico. A interpretação correta dos resultados é vital: um teste treponêmico reagente com um não treponêmico não reagente pode indicar sífilis em fase muito inicial, sífilis tratada (cicatriz) ou sífilis latente tardia, exigindo anamnese detalhada sobre tratamentos prévios.
O rastreamento da sífilis em adultos assintomáticos geralmente segue um modelo sequencial. Recomenda-se iniciar com um teste treponêmico (como o Teste Rápido ou ELISA), que é mais sensível e específico para infecção prévia ou atual. Se o teste inicial for não reagente, a investigação para sífilis é encerrada (considerando a janela imunológica). Se for reagente, realiza-se um teste não treponêmico (como o VDRL ou RPR) para avaliar a atividade da doença e servir de parâmetro para o seguimento pós-tratamento.
A solicitação simultânea de testes treponêmicos e não treponêmicos não é recomendada como rotina de rastreio devido ao custo-efetividade e à lógica diagnóstica. O teste treponêmico é excelente para triagem por ser o primeiro a positivar e permanecer reagente pelo resto da vida (cicatriz sorológica). O teste não treponêmico é mais útil para monitorar a resposta ao tratamento e identificar reinfecções. Em populações de baixa prevalência, a estratégia sequencial minimiza resultados falso-positivos.
O rastreamento é indicado para gestantes (no pré-natal), populações de maior vulnerabilidade (como HSH, profissionais do sexo e pessoas trans) e adultos sexualmente ativos com base na avaliação de risco individual ou prevalência local. No caso de adultos assintomáticos sem fatores de risco específicos, a periodicidade do rastreio deve ser individualizada durante a consulta de rotina, sempre focando na prevenção e no diagnóstico precoce para interromper a cadeia de transmissão.
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