INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Mulher de 45 anos, negra, do lar, casada, procurou atendimento na unidade básica de saúde, explicando que há muito tempo não faz um check-up e gostaria de saber se está tudo bem. No momento, está assintomática e nega patologias, cirurgias e internações pregressas. Tem histórico de dois partos vaginais sem complicações. Desconhece a história familiar, pois é adotada. Nega tabagismo e etilismo. Realiza caminhada diária de 30 minutos. Refere boas relações familiares e comunitárias. O exame físico evidenciou bom estado geral, índice de massa corporal de 21 kg/m², pressão arterial de 125 × 85 mmHg e frequência cardíaca de 64 batimentos por minuto.Em relação à situação clínica apresentada, responda os questionamentos a seguir.Quais exames de rastreamento baseados em evidência científica devem ser solicitados à paciente?Caso a paciente solicite algum exame adicional ao(s) indicado(s) na resposta ao item anterior, como o médico deverá orientá-la quanto à indicação ou contraindicação desse(s) exame(s)?Em qual tipo de prevenção em saúde está baseada a orientação médica abordada na resposta ao item anterior?
Rastreamento em assintomáticas: Colo do útero (25-64a) e Mama (50-69a). Evitar iatrogenia = Prevenção Quaternária.
O rastreamento deve focar em condições com benefício populacional comprovado. Solicitações extras sem evidência exigem prevenção quaternária para evitar danos e sobrediagnóstico.
O rastreamento em saúde pública baseia-se nos critérios de Wilson e Jungner, onde a doença deve ser um problema de saúde importante e o tratamento em estágio latente deve ser mais eficaz que no estágio sintomático. Para mulheres de 45 anos, o foco principal é o câncer de colo uterino. A transição epidemiológica e o acesso facilitado a exames laboratoriais geraram a cultura do 'check-up' excessivo, que muitas vezes ignora os riscos do sobrediagnóstico. A prevenção quaternária surge como um pilar ético fundamental na Atenção Primária à Saúde. Ela desafia o paradigma de que 'quanto mais exames, melhor', focando na segurança do paciente. Ao lidar com pacientes assintomáticos, o médico deve equilibrar a vigilância necessária com a proteção contra danos iatrogênicos, fundamentando suas decisões em diretrizes clínicas robustas e na análise individualizada de riscos.
De acordo com o Ministério da Saúde e o INCA, o rastreamento prioritário para esta faixa etária é o câncer de colo do útero, através do exame citopatológico (Papanicolau) para mulheres entre 25 e 64 anos que já iniciaram atividade sexual. O rastreamento mamográfico para câncer de mama é indicado rotineiramente a partir dos 50 anos até os 69 anos, embora algumas sociedades recomendem o início aos 40 anos. Exames como perfil lipídico e glicemia podem ser considerados dependendo da avaliação de risco cardiovascular global.
O médico deve utilizar a comunicação assertiva e a decisão compartilhada, explicando que exames sem evidência de benefício podem levar a resultados falso-positivos, procedimentos invasivos desnecessários e ansiedade, sem reduzir a mortalidade. Deve-se enfatizar que a ausência de solicitação de certos exames é uma forma de proteção à saúde da paciente, evitando intervenções que trazem mais riscos do que benefícios.
A prevenção quaternária consiste na detecção de indivíduos em risco de intervenções médicas excessivas ou desnecessárias, visando protegê-los de novas incursões médicas inapropriadas e sugerindo alternativas eticamente aceitáveis. No caso clínico, ao contraindicar exames de check-up sem evidência científica, o médico está praticando a prevenção quaternária para evitar a cascata diagnóstica e a iatrogenia.
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