USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Você é médico(a) de família e comunidade em uma Unidade de Saúde da Família e seu primeiro paciente do dia é um homem. Ele vem sem queixas para uma consulta de rotina agendada previamente. Ele tem 56 anos, é hipertenso (de longa data) controlado e dislipidêmico. Faz uso de enalapril 20 mg/dia, ácido acetilsalicílico (AAS) 100 mg/dia e sinvastatina 20 mg/dia. Nunca fumou, nem bebeu. Apresenta exame físico normal. PA: 128 x 86 mmHg. Você checa o prontuário e encontra os seguintes exames complementares: glicose 94 mg/dL, colesterol total 185 mg/dL, colesterol HDL 61 mg/dL, triglicérides 132 mg/dL, creatinina 1,2 mg/dL, potássio 4,3 mEq/L. Dentre as opções abaixo, assinale aquela que cita exames obrigatórios e que estão faltando no prontuário do paciente citado.
Homem hipertenso/dislipidêmico: rastrear ácido úrico e urina rotina são exames obrigatórios.
Em pacientes hipertensos e dislipidêmicos, o rastreamento de ácido úrico é importante devido à associação com doenças cardiovasculares e o uso de diuréticos. A urina rotina é fundamental para avaliar a função renal e a presença de albuminúria, marcadores de lesão de órgão-alvo.
A consulta de rotina na Atenção Primária à Saúde (APS) para pacientes com doenças crônicas como hipertensão e dislipidemia é uma oportunidade vital para o rastreamento, monitoramento e ajuste terapêutico. Para um homem de 56 anos com essas condições, mesmo que controladas, a avaliação de exames complementares é essencial para identificar lesões de órgão-alvo e comorbidades. No caso apresentado, o paciente já possui exames como glicose, colesterol total, HDL, triglicerídeos, creatinina e potássio. No entanto, para uma avaliação completa de um hipertenso e dislipidêmico, alguns exames são considerados obrigatórios e estavam ausentes. O ácido úrico é um marcador importante, pois a hiperuricemia está associada a doenças cardiovasculares e renais, e pode ser influenciada por medicamentos como diuréticos tiazídicos. A urina rotina, por sua vez, é fundamental para a avaliação da função renal e a detecção precoce de nefropatia, como a presença de proteinúria ou albuminúria, que são indicadores de lesão de órgão-alvo em hipertensos. Embora o colesterol LDL possa ser calculado a partir dos outros valores de colesterol, a questão busca exames *obrigatórios e faltantes* que forneçam informações adicionais e cruciais para o manejo desses pacientes na APS, como o ácido úrico e a urina rotina, que são pilares na avaliação de risco cardiovascular e renal.
O ácido úrico é importante porque níveis elevados estão associados a um maior risco cardiovascular, síndrome metabólica e gota. Além disso, alguns diuréticos comumente usados no tratamento da hipertensão podem elevar o ácido úrico, exigindo monitoramento.
A urina rotina é crucial para avaliar a função renal e detectar sinais de lesão de órgão-alvo, como proteinúria ou albuminúria, que indicam nefropatia hipertensiva. Também pode identificar outras condições renais ou infecções urinárias.
O cálculo do colesterol LDL (pela fórmula de Friedewald) é amplamente utilizado, mas pode ser impreciso com triglicerídeos muito elevados. O valor direto é preferível em algumas situações, mas para rastreamento de rotina, o cálculo é aceitável se os triglicerídeos estiverem abaixo de 400 mg/dL.
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