Rastreamento de Rotina na Saúde do Adulto: O que Pedir?

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023

Enunciado

Marisa é uma mulher de 58 anos que veio a uma consulta de rotina, pois deseja realizar exames de “check-up”. Ela não tem problemas de saúde nem faz uso de nenhum medicamento. Seu histórico familiar a preocupa, pois sua mãe morreu devido a um câncer de laringe e, por isso, ela deseja realizar uma endoscopia para saber se está tudo bem com sua laringe, pois foi assim que a mãe descobriu o tumor. Ela deseja também realizar exames para verificar suas vitaminas. Quando questionada, refere ser viúva, sexualmente ativa e nega quaisquer sintomas no momento do atendimento. Considerando seus conhecimentos e o caso exposto, julgue o item a seguir. Faz parte do rastreio de rotina da saúde do adulto a mensuração dos níveis glicêmicos, colesteróis totais e frações e níveis de hormônios tireoidianos.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

TSH e vitaminas não são exames de rastreio de rotina para adultos assintomáticos sem fatores de risco.

Resumo-Chave

O rastreamento deve seguir diretrizes baseadas em evidências (como USPSTF ou Ministério da Saúde), evitando a solicitação indiscriminada de exames como TSH e dosagens vitamínicas em pacientes hígidos.

Contexto Educacional

O conceito de rastreamento envolve a aplicação de testes em pessoas assintomáticas para identificar doenças em estágios iniciais, onde a intervenção reduz a morbimortalidade. A solicitação de exames deve equilibrar benefícios e danos, evitando o sobrediagnóstico e o sobretratamento. No caso apresentado, a afirmação é considerada errada porque, embora glicemia e colesterol façam parte do rastreio cardiovascular, os hormônios tireoidianos (TSH/T4L) não são recomendados rotineiramente para a população geral assintomática. A prática de solicitar 'check-ups' extensos sem base epidemiológica fere os princípios da prevenção quaternária.

Perguntas Frequentes

Quando é indicado o rastreio de hipotireoidismo em adultos?

De acordo com as principais diretrizes internacionais, como a USPSTF, não há evidência suficiente para recomendar o rastreamento universal de disfunção tireoidiana em adultos não gestantes e assintomáticos. O rastreio deve ser considerado apenas em populações de alto risco ou na presença de sintomas sugestivos, como fadiga inexplicada, ganho de peso ou alterações de pele e fâneros. No Brasil, algumas sociedades sugerem o rastreio em mulheres acima de 35 ou 50 anos, mas isso não é um consenso absoluto na medicina preventiva de rotina.

Existe indicação de rastreio para câncer de laringe?

Não existe recomendação de rastreamento populacional para câncer de laringe em indivíduos assintomáticos, mesmo com histórico familiar. O diagnóstico precoce baseia-se na identificação de sinais e sintomas de alarme, como rouquidão persistente por mais de 3 semanas, disfagia ou odinofagia. A laringoscopia ou endoscopia solicitada pela paciente no caso clínico não faz parte dos protocolos de rastreio preventivo, caracterizando um excesso de propedêutica se não houver queixas clínicas.

Quais exames de rastreio são indicados para uma mulher de 58 anos?

Para uma mulher de 58 anos assintomática, as recomendações padrão incluem: rastreamento de câncer de mama (mamografia bienal), câncer de colo de útero (citopatológico se não houver exames anteriores normais), câncer colorretal (colonoscopia ou pesquisa de sangue oculto), avaliação de risco cardiovascular (perfil lipídico e glicemia) e avaliação de densitometria óssea (dependendo de fatores de risco, embora a recomendação universal costume ser aos 65 anos).

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