MedEvo Simulado — Prova 2026
Um paciente de 54 anos comparece à consulta na Unidade Básica de Saúde para apresentar exames laboratoriais solicitados em uma avaliação de rotina. Ele é previamente hígido e assintomático, mas seus exames confirmam o diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), com glicemia de jejum de 142 mg/dL e hemoglobina glicada de 7,2%. O paciente demonstra preocupação com as complicações da doença e questiona sobre a necessidade de exames nos olhos, ressaltando que sua visão é excelente e ele não usa óculos. Considerando as recomendações atuais para o rastreamento de complicações microvasculares, a conduta correta em relação à avaliação oftalmológica para este paciente é:
DM2 → Rastreio oftalmológico IMEDIATO ao diagnóstico; DM1 → Após 5 anos do diagnóstico.
No DM2, o tempo de início da hiperglicemia é incerto e insidioso, permitindo que lesões microvasculares já existam no momento do diagnóstico clínico.
O Diabetes Mellitus tipo 2 é uma doença metabólica caracterizada por resistência insulínica e falência progressiva das células beta pancreáticas. Devido ao seu caráter assintomático inicial, o diagnóstico costuma ser tardio. As complicações microvasculares, como retinopatia, nefropatia e neuropatia, estão diretamente ligadas ao tempo de exposição à hiperglicemia e aos níveis de hemoglobina glicada. A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira irreversível em adultos em idade produtiva. O rastreamento precoce permite intervenções como o controle rigoroso da pressão arterial e glicemia, além de tratamentos específicos como fotocoagulação a laser ou injeções de anti-VEGF quando indicado, reduzindo drasticamente o risco de perda visual grave. O médico da atenção primária desempenha papel crucial ao encaminhar o paciente recém-diagnosticado para o especialista, garantindo que o rastreio não seja negligenciado pela ausência de sintomas visuais.
Diferente do Diabetes Mellitus tipo 1, onde o início da deficiência insulínica é geralmente abrupto e bem definido, o Diabetes Mellitus tipo 2 possui um curso insidioso. Estima-se que, no momento do diagnóstico clínico do DM2, o paciente já possa ter convivido com hiperglicemia crônica por 4 a 7 anos. Esse período de exposição é suficiente para o desenvolvimento de complicações microvasculares, como a retinopatia diabética, justificando a necessidade de avaliação oftalmológica imediata para estadiamento e prevenção de perda visual, mesmo que o paciente seja assintomático.
O exame de escolha é a fundoscopia (exame de fundo de olho) realizada sob midríase por um oftalmologista. A dilatação pupilar é essencial para permitir a visualização adequada da periferia da retina e não apenas do polo posterior. Em alguns centros, a retinografia colorida de campo amplo ou a fotografia estereoscópica de fundo de olho podem ser utilizadas como métodos de triagem, mas a avaliação clínica especializada permanece como o pilar para o diagnóstico de retinopatia proliferativa ou edema macular, permitindo a classificação correta da gravidade da doença.
Se o exame inicial for normal, a recomendação geral da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e da ADA é a repetição anual. No entanto, em pacientes com controle glicêmico excelente (HbA1c estável e na meta) e sem evidências de retinopatia em exames prévios, alguns protocolos sugerem que o rastreio possa ser feito a cada 1 ou 2 anos. Caso haja detecção de qualquer grau de retinopatia, a frequência deve ser aumentada conforme a gravidade das lesões (ex: semestral ou trimestral), dependendo do risco de progressão para formas que ameaçam a visão.
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