UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Considerando adultos acima de 40 anos de idade, não gestantes, assintomáticos, independentemente da presença de outros fatores de risco, para quais condições é recomendado o rastreamento populacional?
Rastreamento universal em adultos assintomáticos >40 anos = Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus tipo 2.
O rastreamento populacional para hipertensão arterial e diabetes tipo 2 em adultos é recomendado devido à alta prevalência, ao longo período assintomático e à existência de tratamentos eficazes que previnem desfechos cardiovasculares graves.
O rastreamento populacional visa identificar doenças em indivíduos assintomáticos para permitir intervenções precoces e melhorar os desfechos de saúde. Para que uma condição seja alvo de rastreamento universal, ela deve ser prevalente, ter um período assintomático longo, possuir um teste de triagem acessível e eficaz, e um tratamento que altere positivamente sua história natural. A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) preenchem esses critérios. Ambas são doenças crônicas de alta prevalência, frequentemente assintomáticas em suas fases iniciais, e são fatores de risco maiores para doenças cardiovasculares e renais. O rastreamento é simples (aferição da pressão arterial para HAS; glicemia de jejum ou HbA1c para DM2) e o tratamento precoce comprovadamente reduz a morbimortalidade. Outras condições, como câncer de mama ou colorretal, têm recomendações de rastreamento para faixas etárias específicas, mas não para toda a população adulta acima de 40 anos. O rastreamento de câncer de próstata com PSA não é recomendado universalmente devido a controvérsias sobre seus benefícios superarem os riscos de sobrediagnóstico e sobretratamento.
Para adultos com pressão arterial normal (<120/80 mmHg), o rastreamento deve ser feito anualmente. A aferição da pressão arterial em todas as consultas médicas é uma estratégia de rastreamento oportunístico eficaz e recomendada.
Os exames recomendados para o rastreamento de diabetes tipo 2 incluem a glicemia de jejum, a hemoglobina glicada (A1c) ou o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com 75g. A escolha pode depender do contexto clínico e da disponibilidade.
O rastreamento universal com PSA é controverso devido ao alto risco de sobrediagnóstico (detecção de cânceres indolentes) e sobretratamento, cujas complicações (incontinência, disfunção erétil) podem superar os benefícios. A decisão deve ser individualizada e compartilhada com o paciente.
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