USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2017
O diagnóstico precoce é considerado um dos fatores relevantes para o sucesso do tratamento do câncer. No sentido de avaliar a triagem populacional com mamografia para diagnóstico precoce e mortalidade dos cânceres de mama, foi realizado estudo no qual as participantes foram alocadas aleatoriamente ao grupo de intervenção ou ao grupo controle. As participantes alocadas no grupo de intervenção foram submetidas anualmente a mamografia durante os cincos primeiros anos de estudo, enquanto que as do grupo controle não receberam essa intervenção. Ambos os grupos foram acompanhados durante 25 anos. A tabela que segue resume alguns resultados deste estudo. Com base nesses resultados, pode-se afirmar que os dados apresentados:
Rastreamento eficaz deve reduzir MORTALIDADE, não apenas aumentar o número de diagnósticos.
O aumento do número de casos diagnosticados (incidência) sem redução da mortalidade sugere 'overdiagnosis' e não eficácia do programa de triagem.
O rastreamento populacional visa detectar doenças em estágios pré-clínicos para melhorar o prognóstico. No caso do câncer de mama, a mamografia é a ferramenta padrão. No entanto, a análise de grandes estudos gerou debates sobre a magnitude do benefício real na redução da mortalidade em certas faixas etárias. A interpretação correta de dados epidemiológicos exige distinguir entre eficácia (redução de mortes) e aumento de incidência. Quando um estudo mostra que o grupo intervenção teve mais diagnósticos mas a mesma mortalidade que o controle, conclui-se que a intervenção não foi eficaz para o objetivo primordial de salvar vidas, evidenciando o risco de sobrediagnóstico e sobretratamento.
Um programa de rastreamento é considerado eficaz quando demonstra, preferencialmente em ensaios clínicos randomizados, uma redução estatisticamente significativa na mortalidade específica pela doença na população rastreada, e não apenas um aumento no número de casos detectados.
O sobrediagnóstico (overdiagnosis) ocorre quando o rastreamento identifica tumores que nunca progrediriam para causar sintomas ou morte durante a vida do paciente. Isso leva a tratamentos desnecessários e ansiedade, sem benefício em termos de sobrevida.
A sobrevida pode parecer maior apenas porque o diagnóstico foi feito mais cedo (lead-time bias), sem alterar a data da morte. A mortalidade avalia o número total de óbitos na população; se ela não cai, o rastreamento não mudou o desfecho final da doença.
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