MedEvo Simulado — Prova 2026
Antônia, uma mulher de 62 anos, tabagista ativa com carga tabágica acumulada de 35 maços-ano, procura a Unidade Básica de Saúde para uma consulta de rotina. Ela é hipertensa, em uso regular de Losartana 50 mg/dia, e apresenta Índice de Massa Corporal (IMC) de 31,5 kg/m². A paciente relata que nunca realizou exames sistemáticos de rastreamento e deseja saber quais procedimentos são necessários para 'garantir que está tudo bem'. No momento, nega sintomas cardiovasculares, respiratórios ou gastrointestinais. Com base nos princípios da Medicina Preventiva e nas recomendações atuais para o rastreamento de doenças em adultos assintomáticos na Atenção Primária à Saúde, assinale a alternativa que apresenta uma conduta INCORRETA para esta paciente:
Rastreio de AAA com USG → Apenas homens (65-75 anos) que já fumaram.
O rastreamento de doenças deve seguir evidências de custo-benefício; o rastreio de AAA não é indicado para mulheres, independentemente da carga tabágica.
A Medicina Preventiva baseia-se na aplicação de intervenções que comprovadamente reduzem a morbimortalidade populacional. O rastreamento (prevenção secundária) deve ser direcionado a populações de risco onde o diagnóstico precoce altera o desfecho clínico. No caso da paciente Antônia, embora seja tabagista e idosa, o rastreio de AAA não é indicado para o sexo feminino por falta de evidência de redução de mortalidade. Por outro lado, o rastreio de câncer de pulmão com TC de baixa dose é fundamental dada sua carga tabágica (>20 maços-ano e idade >50 anos). O rastreio colorretal e cardiovascular (perfil lipídico e glicemia) são pilares da manutenção da saúde na terceira idade, visando mitigar riscos de eventos isquêmicos e neoplasias avançadas.
Segundo a USPSTF e a maioria das diretrizes de medicina preventiva, o rastreamento de AAA com ultrassonografia abdominal única é recomendado para homens entre 65 e 75 anos que tenham história de tabagismo (definido como ter fumado pelo menos 100 cigarros na vida). Não há evidência de benefício que justifique o rastreamento sistemático em mulheres, mesmo que fumantes.
O rastreamento é indicado com Tomografia Computadorizada (TC) de baixa dose anual para adultos de 50 a 80 anos que apresentem uma carga tabágica de 20 maços-ano ou mais, e que sejam fumantes atuais ou tenham cessado o hábito nos últimos 15 anos. O rastreio deve ser interrompido se o paciente parar de fumar há mais de 15 anos ou desenvolver problema de saúde que limite a expectativa de vida.
Atualmente, as principais diretrizes internacionais recomendam iniciar o rastreamento para adultos de risco médio aos 45 anos (anteriormente era 50 anos), estendendo-se até os 75 anos. As modalidades incluem colonoscopia a cada 10 anos, sigmoidoscopia a cada 5 anos ou testes de fezes anuais, como a Pesquisa de Sangue Oculto (FIT ou PSOF).
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