Rastreamento na Atenção Primária: Indicações e Condutas

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Antônia, uma mulher de 62 anos, tabagista ativa com carga tabágica acumulada de 35 maços-ano, procura a Unidade Básica de Saúde para uma consulta de rotina. Ela é hipertensa, em uso regular de Losartana 50 mg/dia, e apresenta Índice de Massa Corporal (IMC) de 31,5 kg/m². A paciente relata que nunca realizou exames sistemáticos de rastreamento e deseja saber quais procedimentos são necessários para 'garantir que está tudo bem'. No momento, nega sintomas cardiovasculares, respiratórios ou gastrointestinais. Com base nos princípios da Medicina Preventiva e nas recomendações atuais para o rastreamento de doenças em adultos assintomáticos na Atenção Primária à Saúde, assinale a alternativa que apresenta uma conduta INCORRETA para esta paciente:

Alternativas

  1. A) Solicitar perfil lipídico e glicemia de jejum para avaliação de risco cardiovascular e rastreamento de Diabetes Mellitus tipo 2.
  2. B) Solicitar ultrassonografia de abdome superior para rastreamento de Aneurisma de Aorta Abdominal (AAA).
  3. C) Solicitar Colonoscopia ou Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSOF) para rastreamento de câncer colorretal.
  4. D) Solicitar Tomografia Computadorizada (TC) de tórax de baixa dose anual para rastreamento de câncer de pulmão.

Pérola Clínica

Rastreio de AAA com USG → Apenas homens (65-75 anos) que já fumaram.

Resumo-Chave

O rastreamento de doenças deve seguir evidências de custo-benefício; o rastreio de AAA não é indicado para mulheres, independentemente da carga tabágica.

Contexto Educacional

A Medicina Preventiva baseia-se na aplicação de intervenções que comprovadamente reduzem a morbimortalidade populacional. O rastreamento (prevenção secundária) deve ser direcionado a populações de risco onde o diagnóstico precoce altera o desfecho clínico. No caso da paciente Antônia, embora seja tabagista e idosa, o rastreio de AAA não é indicado para o sexo feminino por falta de evidência de redução de mortalidade. Por outro lado, o rastreio de câncer de pulmão com TC de baixa dose é fundamental dada sua carga tabágica (>20 maços-ano e idade >50 anos). O rastreio colorretal e cardiovascular (perfil lipídico e glicemia) são pilares da manutenção da saúde na terceira idade, visando mitigar riscos de eventos isquêmicos e neoplasias avançadas.

Perguntas Frequentes

Quem deve realizar o rastreamento de Aneurisma de Aorta Abdominal?

Segundo a USPSTF e a maioria das diretrizes de medicina preventiva, o rastreamento de AAA com ultrassonografia abdominal única é recomendado para homens entre 65 e 75 anos que tenham história de tabagismo (definido como ter fumado pelo menos 100 cigarros na vida). Não há evidência de benefício que justifique o rastreamento sistemático em mulheres, mesmo que fumantes.

Quais os critérios para rastreamento de câncer de pulmão?

O rastreamento é indicado com Tomografia Computadorizada (TC) de baixa dose anual para adultos de 50 a 80 anos que apresentem uma carga tabágica de 20 maços-ano ou mais, e que sejam fumantes atuais ou tenham cessado o hábito nos últimos 15 anos. O rastreio deve ser interrompido se o paciente parar de fumar há mais de 15 anos ou desenvolver problema de saúde que limite a expectativa de vida.

Quando iniciar o rastreamento de câncer colorretal?

Atualmente, as principais diretrizes internacionais recomendam iniciar o rastreamento para adultos de risco médio aos 45 anos (anteriormente era 50 anos), estendendo-se até os 75 anos. As modalidades incluem colonoscopia a cada 10 anos, sigmoidoscopia a cada 5 anos ou testes de fezes anuais, como a Pesquisa de Sangue Oculto (FIT ou PSOF).

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