Rastreamento Masculino: Exames Essenciais para Homens >50 Anos

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020

Enunciado

M.P.T., 52 anos, sexo masculino, veio à consulta querendo fazer exames de rotina. Encontra-se sem queixas. É hipertenso e usa hidrocolorotiazida 25mg pela manhã. Divorciou-se há um ano e começou novo relacionamento fixo há 7 meses, contudo antes disso tinha relações sexuais eventuais com diferentes parceiras, sem uso de preservativo. Nega tabagismo e etilismo. Nunca fez tatuagens ou recebeu transfusão. Apresentou cartão de vacina com esquema completo para Hepatite B. Na história familiar conta que os pais são hipertensos e a mãe teve câncer colorretal aos 72 anos. PA=120x80, Peso=82kg, Altura=1,76m. Ausculta cardíaca e respiratória normais. Considerando as recomendações de rastreamento e a preocupação com iatrogenias, além dos exames de rotina para HAS (lipidograma, glicemia, creatinina, potássio e EAS), o médico deveria solicitar:

Alternativas

  1. A) PSA, pesquisa de sangue oculto nas fezes e sorologias para HIV e sífilis.
  2. B) PSA e pesquisa de sangue oculto nas fezes.
  3. C) Sorologias para HIV, sífilis e hepatite C
  4. D) Pesquisa de sangue oculto nas fezes e sorologias para HIV e sífilis.

Pérola Clínica

Homem >50a com histórico sexual de risco e mãe com câncer colorretal → rastrear DSTs (HIV, sífilis), hepatite C e câncer colorretal (PSOF).

Resumo-Chave

A idade do paciente (>50 anos), histórico familiar de câncer colorretal e histórico sexual de risco (múltiplos parceiros sem preservativo) são fatores que indicam a necessidade de rastreamento para câncer colorretal, HIV, sífilis e hepatite C, mesmo na ausência de sintomas.

Contexto Educacional

O rastreamento em homens acima de 50 anos deve ser individualizado, considerando fatores de risco pessoais e familiares. Além dos exames de rotina para condições crônicas como hipertensão, é crucial abordar o rastreamento de cânceres prevalentes e doenças infecciosas. A idade de 52 anos, o histórico familiar de câncer colorretal na mãe e o histórico sexual de múltiplos parceiros sem preservativo são elementos-chave que direcionam a conduta. Para o câncer colorretal, a idade acima de 50 anos e o histórico familiar de câncer em parente de primeiro grau (mãe aos 72 anos, embora não seja antes dos 60, ainda é um fator a considerar) justificam a pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) como método de rastreamento. Quanto às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), o histórico de relações sexuais eventuais com diferentes parceiras sem preservativo é uma indicação clara para rastrear HIV e sífilis. Embora o paciente tenha vacinação completa para Hepatite B, o rastreamento para Hepatite C também é pertinente dado o histórico sexual de risco. É importante ressaltar que o rastreamento do PSA para câncer de próstata é um tema controverso. As diretrizes atuais recomendam a decisão compartilhada, discutindo os riscos de superdiagnóstico e overtreatment versus os potenciais benefícios. No contexto da questão, os fatores de risco para DSTs e câncer colorretal são mais prementes e menos controversos para rastreamento imediato.

Perguntas Frequentes

Quais são as recomendações de rastreamento para câncer colorretal em homens?

O rastreamento para câncer colorretal geralmente inicia aos 50 anos para indivíduos de risco médio. Métodos incluem pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) anualmente ou bienalmente, sigmoidoscopia flexível a cada 5 anos ou colonoscopia a cada 10 anos. Em caso de histórico familiar de câncer colorretal em parente de primeiro grau antes dos 60 anos, o rastreamento deve começar mais cedo.

Quando se deve rastrear HIV, sífilis e hepatite C em homens assintomáticos?

O rastreamento para HIV, sífilis e hepatite C é recomendado para indivíduos com histórico de múltiplos parceiros sexuais, sexo sem preservativo, uso de drogas injetáveis ou outras exposições de risco, independentemente da presença de sintomas. A triagem deve ser oferecida rotineiramente em consultas de atenção primária para grupos de risco.

Qual a controvérsia sobre o rastreamento de câncer de próstata com PSA?

O rastreamento com PSA é controverso devido à alta taxa de falsos positivos, biópsias desnecessárias e tratamento de cânceres indolentes (superdiagnóstico e overtreatment), que podem causar efeitos adversos como incontinência e disfunção erétil. As diretrizes atuais enfatizam a decisão compartilhada, discutindo riscos e benefícios com o paciente.

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