UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020
Cada vez mais se exigem transparência, clareza, objetividade e simplicidade sobre os benefícios e danos potenciais nas orientações profissionais e institucionais sobre os rastreamentos. Dentre as orientações a uma mulher de 51 anos que nunca fez rastreamento mamográfico e pergunta sobre ele, é correto orientar que:
Rastreamento mamográfico: 1 morte evitada = 3-4 sobrediagnósticos/tratamentos desnecessários.
É crucial informar as mulheres sobre os benefícios (redução de mortalidade) e, especialmente, os danos do rastreamento mamográfico, como sobrediagnóstico e falso-positivos, que levam a biópsias e tratamentos desnecessários para cânceres que não progrediriam clinicamente.
O rastreamento mamográfico é uma estratégia de saúde pública visando a detecção precoce do câncer de mama em mulheres assintomáticas. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a mamografia bienal para mulheres de 50 a 69 anos. A importância clínica reside na possibilidade de reduzir a mortalidade por câncer de mama, uma das principais causas de óbito por câncer em mulheres. A fisiopatologia do câncer de mama envolve diversas vias moleculares, e o rastreamento busca identificar lesões em estágios iniciais. O diagnóstico precoce permite intervenções que, em tese, melhoram o prognóstico. No entanto, é crucial entender que nem todos os cânceres detectados pelo rastreamento são clinicamente relevantes; alguns são indolentes e não progrediriam para causar danos ou morte, caracterizando o sobrediagnóstico. O tratamento do câncer de mama varia conforme o estágio e tipo histológico. O prognóstico é geralmente melhor em estágios iniciais. Pontos de atenção para residentes incluem a comunicação transparente com as pacientes sobre os riscos e benefícios do rastreamento, enfatizando que, para cada morte evitada, há um número significativo de sobrediagnósticos e tratamentos desnecessários, além de falso-positivos que geram ansiedade e exames invasivos.
O principal benefício do rastreamento mamográfico é a redução da mortalidade por câncer de mama, estimada em 15-20% em mulheres na faixa etária recomendada, através da detecção precoce de tumores.
Os danos mais relevantes incluem falso-positivos (que geram ansiedade e exames adicionais), biópsias desnecessárias e, principalmente, o sobrediagnóstico, onde cânceres indolentes são detectados e tratados sem necessidade, sem impacto na sobrevida.
O sobrediagnóstico leva a tratamentos (cirurgia, radioterapia, quimioterapia) para cânceres que nunca se manifestariam clinicamente, expondo as mulheres a efeitos adversos desnecessários e impactando sua qualidade de vida.
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