Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
Um paciente de 71 anos de idade foi à consulta de rotina por insistência da esposa, sem qualquer problema de saúde ou queixas no momento. É tabagista há quarenta anos (um maço por dia) e sedentário. Nega uso de álcool ou de medicamentos contínuos, comorbidades, internações ou quedas nos últimos doze meses e cirurgias prévias. Encontra-se em bom estado geral, consciente, orientado, com PA de 116 x 74 mmHg, IMC igual a 23, FC de 76 bpm e sat. de O2 de 97% em ar ambiente. Pesa 67 kg e tem 1,69 m de altura. Foram observados duas bulhas rítmicas, normofonéticas, sem sopro, e murmúrios vesiculares bilaterais.Com base nesse caso hipotético e no US Task Force, assinale a alternativa que apresenta apenas exames com benefícios comprovados para o rastreamento do paciente.
Homens tabagistas 65-75 anos → USG de abdômen para AAA; Tabagistas 50-80 anos com 20+ anos-maço → LDCT para câncer de pulmão.
As recomendações de rastreamento da USPSTF são baseadas em evidências para identificar doenças em estágio inicial, quando o tratamento é mais eficaz. Para homens idosos tabagistas, a ultrassonografia para aneurisma de aorta abdominal e a tomografia de baixa dosagem para câncer de pulmão são intervenções com benefício comprovado.
O rastreamento de doenças em pacientes assintomáticos é uma estratégia de saúde pública que visa identificar condições em estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz e o prognóstico é melhor. As recomendações da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF) são baseadas em uma rigorosa revisão de evidências e são amplamente utilizadas para guiar as práticas de rastreamento. Para o paciente do caso, um homem de 71 anos com histórico de tabagismo pesado, duas recomendações de rastreamento se destacam. A primeira é o rastreamento de aneurisma de aorta abdominal (AAA). A USPSTF recomenda um rastreamento único com ultrassonografia abdominal para homens de 65 a 75 anos que já fumaram. O tabagismo é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e crescimento de AAA. A detecção precoce permite o acompanhamento e a intervenção cirúrgica eletiva, prevenindo a ruptura, que é uma condição catastrófica e frequentemente fatal. A segunda recomendação é o rastreamento de câncer de pulmão. Para adultos de 50 a 80 anos com um histórico de tabagismo de 20 anos-maço ou mais (como o paciente do caso, com 40 anos-maço) e que atualmente fumam ou pararam nos últimos 15 anos, a tomografia computadorizada de baixa dosagem (LDCT) anual é recomendada. Este rastreamento demonstrou reduzir a mortalidade por câncer de pulmão em populações de alto risco, sendo uma intervenção crucial para tabagistas pesados. É importante diferenciar a LDCT da radiografia de tórax, que não tem benefício comprovado para rastreamento de câncer de pulmão.
A USPSTF recomenda o rastreamento único com ultrassonografia abdominal para homens de 65 a 75 anos que têm histórico de tabagismo (mesmo que tenham parado de fumar), devido ao risco aumentado de ruptura de AAA nessa população.
O rastreamento com LDCT é recomendado pela USPSTF para adultos de 50 a 80 anos que têm um histórico de tabagismo de 20 anos-maço ou mais e que atualmente fumam ou pararam de fumar nos últimos 15 anos, pois este grupo tem alto risco de desenvolver câncer de pulmão.
A radiografia de tórax tem baixa sensibilidade para detectar câncer de pulmão em estágio inicial e não demonstrou reduzir a mortalidade por câncer de pulmão em estudos de rastreamento. A tomografia computadorizada de baixa dosagem (LDCT) é superior e é a modalidade recomendada para rastreamento em grupos de alto risco.
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