Rastreamento de DM2: Quando Indicar o TOTG?

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 45 anos, com histórico familiar de diabetes (mãe e irmão), sedentário, em acompanhamento por hipertensão arterial, veio a uma consulta de rotina. Ao exame físico, apresenta IMC de 32 kg/m² e circunferência abdominal = 97 cm. Trouxe exames laboratoriais recentes com os seguintes resultados: glicemia de jejum de 99 mg/dl (VR: (60-99 mg/dl) e Hemoglobina glicada = 5,5% (VR< 5,6%). Dentre as opções abaixo, qual é a conduta mais apropriada neste caso?

Alternativas

  1. A) Orientar mudanças de estilo de vida e repetir os exames em 6 a 12 meses.
  2. B) Orientar mudanças de estilo de vida e iniciar metformina.
  3. C) Realizar teste oral de tolerância à glicose (TOTG) -1h.
  4. D) Realizar uma glicemia capilar como triagem para definir a conduta.

Pérola Clínica

Paciente com múltiplos fatores de risco para DM2 e exames limítrofes → realizar TOTG para rastreamento de pré-diabetes/DM.

Resumo-Chave

Este paciente apresenta múltiplos fatores de risco para Diabetes Mellitus Tipo 2 (histórico familiar, sedentarismo, HAS, obesidade central) e valores de glicemia de jejum e HbA1c no limite superior da normalidade. Nesses casos, o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) é o exame mais sensível para diagnosticar pré-diabetes (intolerância à glicose) ou diabetes, mesmo quando os outros exames ainda não atingiram os critérios diagnósticos.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) é uma doença crônica metabólica de alta prevalência, caracterizada por resistência à insulina e/ou deficiência na secreção de insulina. O rastreamento precoce é fundamental para identificar indivíduos em risco ou com pré-diabetes, permitindo intervenções que podem retardar ou prevenir a progressão para DM2 e suas complicações. Residentes devem estar aptos a identificar pacientes que se beneficiam de uma investigação mais aprofundada. A fisiopatologia do DM2 envolve uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais, levando à disfunção das células beta pancreáticas e à resistência à insulina nos tecidos periféricos. O diagnóstico é feito por glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c) ou Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG). Pacientes com múltiplos fatores de risco, mesmo com exames iniciais dentro da normalidade ou limítrofes, devem ser investigados ativamente. Neste caso, a presença de obesidade, sedentarismo, hipertensão e histórico familiar, combinada com valores de glicemia de jejum e HbA1c no limite superior da normalidade, indica a necessidade de um TOTG. Este teste é mais sensível para detectar alterações precoces no metabolismo da glicose, como a intolerância à glicose (pré-diabetes), que não seriam identificadas apenas com os exames de rotina. A conduta apropriada permite um diagnóstico precoce e a implementação de mudanças no estilo de vida ou, se necessário, tratamento farmacológico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para Diabetes Mellitus Tipo 2?

Os principais fatores de risco incluem histórico familiar de DM2, obesidade (IMC > 25 kg/m²), sedentarismo, hipertensão arterial, dislipidemia, idade > 45 anos e história de diabetes gestacional.

Quando a glicemia de jejum e a HbA1c são consideradas limítrofes para DM2?

A glicemia de jejum é limítrofe entre 100-125 mg/dl (pré-diabetes) e a HbA1c entre 5,7-6,4% (pré-diabetes). Valores no limite superior da normalidade (como 99 mg/dl e 5,5% neste caso) em pacientes de risco justificam investigação adicional.

Qual a importância do Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) no rastreamento?

O TOTG é o exame mais sensível para diagnosticar intolerância à glicose (pré-diabetes) e diabetes, especialmente quando a glicemia de jejum e a HbA1c estão normais ou limítrofes em pacientes com múltiplos fatores de risco, pois avalia a capacidade do corpo de processar a glicose após uma carga.

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