Diabetes Gestacional: Rastreamento e Diagnóstico no Brasil

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Atualmente, estima-se que o principal fator de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 em mulheres é o antecedente de Diabetes Mellitus Gestacional (DMG). A hiperglicemia no período gravídico-puerperal está associada a desfechos perinatais piores e a doenças futuras. De acordo com o Rastreamento e Diagnóstico de Diabetes Mellitus gestacional no Brasil (OPAS/MS/FEBRASGO/SBD), assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Em situação de viabilidade financeira e disponibilidade técnica total, somente as mulheres com glicemia de jejum acima de 92mg/dL no primeiro trimestre devem fazer Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) no segundo trimestre para diagnóstico de DMG.
  2. B) Se há viabilidade financeira ou disponibilidade técnica parcial, o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) deve ser realizado já no primeiro trimestre, com sobrecarga de glicose de 75g.
  3. C) Em situação de viabilidade financeira e disponibilidade técnica total, todas as mulheres devem realizar glicemia de jejum (preferentemente até 20 semanas de idade gestacional) e se o resultado for inferior a 92mg/dL devem realizar Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) entre 24 e 28 semanas.
  4. D) Se há viabilidade financeira ou disponibilidade técnica parcial, deve-se realizar o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) 4 semanas após o parto.

Pérola Clínica

Rastreamento DMG universal: GJ < 92mg/dL (até 20s) → TOTG 75g (24-28s).

Resumo-Chave

O rastreamento universal do DMG é preconizado no Brasil, iniciando com glicemia de jejum no primeiro trimestre. Se normal, o TOTG com 75g é realizado entre 24 e 28 semanas para confirmar ou excluir o diagnóstico, dada a importância de identificar e manejar a hiperglicemia gestacional para melhores desfechos materno-fetais.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é definido como qualquer grau de intolerância à glicose que se inicia ou é diagnosticado pela primeira vez durante a gestação. Sua prevalência tem aumentado e é um importante fator de risco para complicações maternas e perinatais, além de aumentar o risco de diabetes tipo 2 futuro para a mãe e o filho. O rastreamento e diagnóstico precoce são cruciais para a intervenção e melhora dos desfechos. As diretrizes brasileiras (OPAS/MS/FEBRASGO/SBD) preconizam o rastreamento universal. Inicialmente, todas as gestantes devem realizar uma glicemia de jejum na primeira consulta pré-natal (preferencialmente até 20 semanas). Se o resultado for < 92 mg/dL, o rastreamento prossegue com o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) de 75g entre 24 e 28 semanas de gestação. Valores de glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL (mas < 126 mg/dL) ou TOTG alterado confirmam o diagnóstico de DMG. O manejo do DMG envolve principalmente terapia nutricional e atividade física, com insulinoterapia se as metas glicêmicas não forem atingidas. O acompanhamento rigoroso é fundamental para prevenir macrossomia fetal, pré-eclâmpsia, parto prematuro e outras complicações. Após o parto, é essencial reavaliar a tolerância à glicose da mulher, pois o DMG confere um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.

Perguntas Frequentes

Quando é realizado o rastreamento para Diabetes Mellitus Gestacional?

O rastreamento para DMG inicia com glicemia de jejum na primeira consulta pré-natal (preferencialmente até 20 semanas). Se normal, o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) de 75g é realizado entre 24 e 28 semanas de gestação.

Quais são os critérios diagnósticos para DMG no Brasil?

Conforme as diretrizes brasileiras, o diagnóstico de DMG é feito com glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL (mas < 126 mg/dL) ou com TOTG de 75g alterado (glicemia em jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL ou 2 horas ≥ 153 mg/dL).

Qual a importância da glicemia de jejum no primeiro trimestre para o DMG?

A glicemia de jejum no primeiro trimestre é crucial para identificar precocemente gestantes com hiperglicemia, que podem ter diabetes pré-existente não diagnosticado ou DMG de início precoce, permitindo intervenção imediata para otimizar os desfechos.

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