Diabetes Gestacional: Rastreamento e Diagnóstico

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma primigesta com 36 anos de idade, obesa (IMC = 32 kg/m²), apresentou, na 8ª semana de gestação, glicemia de jejum de 88 mg/dL.A partir desse caso clínico, assinale a alternativa correta quanto à hiperglicemia na gestação.

Alternativas

  1. A) Toda gestante com glicemia de jejum de 1º trimestre < 92 mg/dL deve realizar, entre 24 e 28 semanas de gestação, teste oral de tolerância à glicose com 75 g (TOTG-75 g).
  2. B) Para o diagnóstico de diabetes mellitus gestacional pelo TOTG-75 g, deve-se considerar, pelo menos, um valor alterado dos limites de 95 mg/dL, 180 mg/dL e 155 mg/dL, respectivamente, para glicemia de jejum, uma hora e duas horas após a sobrecarga.
  3. C) A adequação da dieta é o primeiro passo do tratamento clínico. Com essa medida, cerca de 40% das mulheres com diagnóstico de diabetes mellitus gestacional conseguem controlar os seus níveis glicêmicos.
  4. D) São repercussões neonatais frequentes da hiperglicemia na gestação: hiperbilirrubinemia; icterícia/kernicterus; policitemia; hiperglicemia; trombose; e prematuridade.
  5. E) O controle da glicemia materna tem como meta alcançar e manter os níveis de normoglicemia: < 92 mg/dL em jejum; e < 120 mg/dL uma hora pós-prandial.

Pérola Clínica

Rastreamento DMG: glicemia jejum 1º tri < 92 mg/dL → TOTG-75g entre 24-28 semanas.

Resumo-Chave

O rastreamento do Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é crucial para a saúde materno-fetal. Mesmo com glicemia de jejum normal no primeiro trimestre, o TOTG-75g é mandatório no segundo trimestre para identificar o DMG, que pode surgir devido às alterações hormonais da gestação.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é uma condição de intolerância à glicose que surge ou é diagnosticada pela primeira vez durante a gestação, afetando cerca de 10-20% das gestantes no Brasil. Sua importância reside nos riscos aumentados para a mãe (pré-eclâmpsia, cesariana, desenvolvimento futuro de DM2) e para o feto/neonato (macrossomia, hipoglicemia neonatal, icterícia, prematuridade, distúrbios respiratórios). O rastreamento e diagnóstico precoces são fundamentais para o manejo adequado e prevenção de complicações. O diagnóstico do DMG é feito em duas etapas. No primeiro trimestre, uma glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL já pode indicar DMG. Se a glicemia de jejum for < 92 mg/dL no primeiro trimestre, o rastreamento definitivo é realizado entre 24 e 28 semanas de gestação com o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG-75g). Os critérios diagnósticos para DMG pelo TOTG-75g são: jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL ou 2 horas ≥ 153 mg/dL. Apenas um valor alterado é suficiente. O tratamento inicial do DMG envolve modificações no estilo de vida, com dieta individualizada e atividade física. Se as metas glicêmicas (jejum < 95 mg/dL e 1h pós-prandial < 140 mg/dL ou 2h pós-prandial < 120 mg/dL) não forem atingidas, a insulinoterapia é indicada. O controle rigoroso da glicemia materna é essencial para reduzir as complicações perinatais e maternas, garantindo um desfecho gestacional mais favorável.

Perguntas Frequentes

Quando o teste oral de tolerância à glicose (TOTG-75g) deve ser realizado na gestação?

O TOTG-75g deve ser realizado entre 24 e 28 semanas de gestação em todas as gestantes que não tiveram diagnóstico de diabetes prévio ou no primeiro trimestre.

Quais são os valores de corte para o diagnóstico de Diabetes Mellitus Gestacional pelo TOTG-75g?

Os valores de corte são: jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL e 2 horas ≥ 153 mg/dL. Apenas um valor alterado já é suficiente para o diagnóstico.

Qual a importância da glicemia de jejum no primeiro trimestre da gestação?

Uma glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL no primeiro trimestre já pode indicar DMG. Se for ≥ 126 mg/dL ou ≥ 200 mg/dL (aleatória), configura diabetes pré-gestacional.

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