SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025
Um paciente de 45 anos, com histórico familiar de diabetes (mãe e irmão), sedentário, em acompanhamento por hipertensão arterial, veio à uma consulta de rotina. Ao exame físico, apresenta IMC de 32 kg/m2 e circunferência abdominal = 97 cm. Trouxe exames laboratoriais recentes com os seguintes resultados: glicemia de jejum de 99 mg/dl (VR: (60-99 mg/dl) e Hemoglobina glicada = 5,5% (VR< 5,6%). Dentre as opções abaixo, qual é a conduta mais apropriada neste caso?
Fatores de risco (IMC > 25 + sedentarismo) → Rastreio de DM2 mesmo com exames iniciais limítrofes.
Pacientes com múltiplos fatores de risco (obesidade, HF, HAS) e exames no limite superior da normalidade exigem vigilância constante para detecção precoce de disglicemia.
O rastreamento de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma estratégia fundamental de saúde pública, focada na identificação de indivíduos em estágio de pré-diabetes ou diabetes não diagnosticado. A Sociedade Brasileira de Diabetes e a ADA recomendam que o rastreio comece aos 35 anos para a população geral ou em qualquer idade para indivíduos com sobrepeso/obesidade e fatores de risco adicionais. Neste caso clínico, o paciente apresenta obesidade (IMC 32) e hipertensão, além de história familiar positiva. Mesmo com exames laboratoriais no limite da normalidade, a conduta deve focar na prevenção primária e na vigilância ativa. A mudança no estilo de vida (MEV) é a intervenção de primeira linha, visando perda de peso e redução do risco cardiovascular global.
O rastreamento é indicado para adultos com IMC ≥ 25 kg/m² (ou ≥ 23 kg/m² em asiáticos) que possuam pelo menos um fator de risco adicional, como sedentarismo, história familiar de DM em primeiro grau, hipertensão arterial (≥ 140/90 mmHg ou em uso de medicação), HDL < 35 mg/dL ou triglicerídeos > 250 mg/dL, e condições associadas à resistência insulínica, como acantose nigricans ou síndrome dos ovários policísticos.
Uma Hemoglobina Glicada (HbA1c) de 5,5% está tecnicamente dentro da faixa de normalidade (abaixo de 5,7%), mas no limite superior. Em pacientes com obesidade grau I e sedentarismo, esse valor não descarta a necessidade de monitoramento rigoroso ou testes adicionais, como o TOTG, especialmente se houver suspeita de picos glicêmicos pós-prandiais não captados pelo jejum.
Embora não seja o padrão-ouro para diagnóstico formal (que exige glicemia de jejum, TOTG ou HbA1c em laboratório), a glicemia capilar pode ser utilizada como uma ferramenta de triagem rápida em consultório para identificar hiperglicemias agudas ou orientar a necessidade imediata de exames laboratoriais mais complexos em pacientes de alto risco.
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