Rastreamento de Doenças e Manejo do Diabetes na APS

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2015

Enunciado

Primeira consulta: Seu Carlos é um homem saudável de 51 anos que vem à consulta para sua revisão anual. Quer fazer todos os exames que tem direito para não ser pego de surpresa por nenhuma doença. Na consulta, Dr. Fernando pergunta se há algum sintoma e o paciente nega. Ao exame físico, paciente apresenta PA = 130 x 80 mmHg e IMC = 23,7, não se verificando outros achados dignos de nota. Dr. Fernando, então, solicita alguns exames e reforça principalmente a importância de uma dieta equilibrada e realização de atividade física regular. Segunda consulta: Seu Carlos retorna 30 dias depois com os exames solicitados e preocupado devido a uma Glicemia de 127 mg/dl que disseram para ele que seria diabetes. Queixou-se ainda de dor no peito e queria a todo custo encaminhamento ao cardiologista e um ecodoppler de membros inferiores, chegando a ficar bravo com Dr. Fernando que não queria solicitar. Dr. Fernando só consegue convencê-lo após perceber que o mesmo estava assustado com possibilidade de amputação como havia acontecido com seu vizinho portador de DM. Dr. Fernando então examina mais uma vez o paciente e não constata alterações cardíacas ao exame, verificando também a PA que estava 120 x 76 mmHg. Explica, então, o processo de evolução do DM e suas complicações, tranquilizando o paciente num primeiro momento. Reforça mais uma vez a importância de alimentação saudável e atividade física e orienta que é necessário repetir o exame de glicemia antes de tirar alguma conclusão sobre DM. Carlos fica satisfeito e questiona apenas sobre a dor no peito, para a qual Dr. Fernando combina de investigar melhor caso a mesma permaneça ou se agrave. Baseado nas evidências disponíveis atualmente considere as afirmativas abaixo e indique os exames que Dr. Fernando deveria pedir para seu Carlos como rastreamento na primeira consultaI - Glicemia de jejum é um exame fundamental para o rastreamento de diabetes em todos os pacientes acima de 35 anos e deve ser solicitado.II - O perfil lipídico não deve ser considerado devido ao IMC normal do paciente.III - PSA deve ser solicitado já que o paciente tem mais de 50 anos de idade.IV - Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes é irrelevante devido à ausência de sintomas do paciente.V - Teste ergométrico deve ser considerado já que houve uma indicação para realização de atividade física.Com relação ao segundo atendimento de Dr. Fernando, qual das afirmativas abaixo NÃO está correta?

Alternativas

  1. A) A repetição do exame para confirmar o diagnóstico de DM é uma conduta rotineira e tem sua base científica no fenômeno estatístico da regressão à média, alcançando-se assim uma estimativa mais acurada do valor verdadeiro.
  2. B) A baixa probabilidade pré-teste do paciente de ter uma doença isquêmica permitiu que Dr. Fernando fizesse uso da demora permitida para o caso da dor no peito.
  3. C) O uso do tempo como recurso diagnóstico e a investigação em série são elementos da conduta de Dr. Fernando que aumentam a especificidade de seu processo investigativo.
  4. D) A orientação de Dr. Fernando para o paciente de manter uma dieta saudável é fundamental como estímulo a mudança de estilo de vida, porém sempre que se confirmar o diagnóstico de DM o paciente deve ser encaminhado ao nutricionista para prescrição de dieta hipocalórica.
  5. E) O papel de filtro de Dr. Fernando como médico na APS encaminhando ao cardiologista apenas pacientes com probabilidade maior de terem uma doença isquêmica é capaz de elevar o valor preditivo positivo dos exames usados pelo cardiologista para chegar a este diagnóstico.

Pérola Clínica

Rastreamento DM >45a ou >35a com fatores risco; PSA individualizado; dieta DM não é sempre hipocalórica.

Resumo-Chave

O rastreamento de DM inicia aos 45 anos ou antes com fatores de risco. A dieta para DM deve ser individualizada por nutricionista, não necessariamente hipocalórica, e o PSA tem rastreamento controverso e individualizado. A afirmação D está incorreta pois a dieta para DM não é sempre hipocalórica, mas sim individualizada.

Contexto Educacional

A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel crucial no rastreamento e manejo de doenças crônicas. Para um homem de 51 anos, sem sintomas, a revisão anual deve incluir rastreamento para Diabetes Mellitus (DM), dislipidemia e câncer colorretal, além de uma discussão individualizada sobre o rastreamento de câncer de próstata. O rastreamento de DM é recomendado a partir dos 45 anos ou antes se houver fatores de risco, sendo a glicemia de jejum um exame fundamental. O perfil lipídico é importante independentemente do IMC, devido ao risco cardiovascular. A pesquisa de sangue oculto nas fezes é um método de rastreamento para câncer colorretal a partir dos 50 anos. O rastreamento com PSA é controverso e deve ser discutido individualmente com o paciente, considerando riscos e benefícios. No manejo do DM, a educação em saúde e as mudanças no estilo de vida são pilares. A repetição da glicemia para confirmar o diagnóstico é uma conduta correta, baseada no fenômeno da regressão à média. A dieta para DM deve ser sempre individualizada por um nutricionista, considerando as necessidades específicas do paciente, e não necessariamente hipocalórica, o que torna a afirmativa D incorreta. O papel do médico da APS como filtro, encaminhando especialistas apenas quando há maior probabilidade de doença, eleva o valor preditivo positivo dos exames subsequentes.

Perguntas Frequentes

Quando deve ser iniciado o rastreamento para Diabetes Mellitus tipo 2?

O rastreamento para DM tipo 2 deve ser iniciado aos 45 anos de idade para todos os indivíduos. Em pacientes com fatores de risco adicionais, como sobrepeso/obesidade, histórico familiar ou hipertensão, o rastreamento pode ser iniciado mais cedo.

Qual a recomendação atual para o rastreamento do câncer de próstata com PSA?

O rastreamento com PSA é controverso e deve ser individualizado, discutindo-se riscos e benefícios com o paciente. Não há uma recomendação universal para todos os homens acima de 50 anos, e a decisão deve considerar a expectativa de vida e preferências do paciente.

Por que a dieta para pacientes com Diabetes Mellitus deve ser individualizada e não apenas hipocalórica?

A dieta para DM deve ser individualizada para atender às necessidades energéticas, culturais e de saúde do paciente, visando o controle glicêmico, lipídico e pressórico. Nem todos os pacientes com DM precisam de dieta hipocalórica; o foco é na qualidade dos carboidratos, gorduras e proteínas.

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