Tuberculose: Rastreamento e Conduta em Contatos Próximos

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 32 anos de idade, natural da Bolívia, migrou para o Brasil há três anos para trabalhar como costureira em um galpão fechado, pouco arejado e com mais de 30 pessoas. A jornada de trabalho é de 10 horas por dia, com uma folga semanal. Recentemente, uma colega do trabalho iniciou tratamento para tuberculose pulmonar e, por isso, procurou atendimento na UBS porque estava preocupada com a possibilidade de contrair a doença. Apresentava boa saúde, não relatou doenças crônicas e, no momento, estava assintomática, sem tosse e com peso estável. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) tranquilizar a paciente, pois o risco de contrair tuberculose é baixo, uma vez que o contato não é domiciliar
  2. B) realizar exame clínico, prova tuberculínica, radiografia de tórax e exame de escarro para tuberculose
  3. C) solicitar radiografia de tórax e indicar vacinação com BCG, uma vez que, na Bolívia, essa vacina não é rotineira
  4. D) orientar retorno imediato caso ocorra o surgimento de sintomas da tuberculose ativa (tosse, febre e perda de peso)
  5. E) iniciar quimioprofilaxia, pois o risco de contrair tuberculose é elevado

Pérola Clínica

Contato TB pulmonar ativa + fatores de risco → rastreamento completo (clínico, PPD, RX tórax, escarro).

Resumo-Chave

Paciente com contato próximo e prolongado com caso de tuberculose pulmonar ativa, especialmente em ambiente de risco (aglomeração, pouca ventilação), necessita de investigação completa para descartar tuberculose latente ou ativa, mesmo que assintomática. A avaliação inclui exame clínico, PPD, radiografia de tórax e, se necessário, escarro.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa grave, e a identificação e manejo de contatos de casos ativos são pilares fundamentais para o controle da doença. Contatos próximos, especialmente em ambientes fechados e com aglomeração, como o descrito na questão, apresentam alto risco de infecção pelo Mycobacterium tuberculosis. A investigação de contatos visa identificar tanto a infecção latente (ILTB) quanto a doença ativa, mesmo em indivíduos assintomáticos, para que medidas preventivas ou terapêuticas possam ser implementadas. A conduta adequada para um contato de tuberculose pulmonar ativa inclui uma avaliação clínica minuciosa, a realização da Prova Tuberculínica (PPD) para rastrear a infecção latente, e uma radiografia de tórax para descartar doença ativa. Em casos de alterações radiológicas ou sintomas sugestivos, o exame de escarro (baciloscopia e cultura) é imperativo para confirmar o diagnóstico de TB ativa. A vacinação com BCG não é indicada para contatos já expostos e não previne a infecção, apenas formas graves da doença em crianças. A quimioprofilaxia (tratamento da ILTB) é considerada após a exclusão de doença ativa e se o PPD for positivo, ou em grupos de alto risco, como imunocomprometidos, independentemente do PPD. A paciente da questão, mesmo assintomática, está em alto risco devido ao contato prolongado em ambiente insalubre e sua origem de área endêmica, justificando a investigação completa para uma conduta baseada em evidências e prevenção da disseminação da doença.

Perguntas Frequentes

Quando um contato de tuberculose deve ser investigado?

Todo contato domiciliar ou próximo (trabalho, escola) de um caso de tuberculose pulmonar bacilífera deve ser investigado, independentemente da presença de sintomas, devido ao alto risco de infecção e desenvolvimento da doença.

Quais exames são indicados para rastrear contatos de tuberculose?

A investigação inclui exame clínico detalhado, Prova Tuberculínica (PPD) para identificar infecção latente, radiografia de tórax para detectar doença ativa e, se houver sintomas ou alterações radiológicas, exame de escarro.

Quais fatores aumentam o risco de tuberculose em contatos?

Fatores como tempo e intensidade do contato, imunossupressão do contato, condições socioeconômicas desfavoráveis, aglomeração e ventilação inadequada no ambiente de exposição aumentam o risco de infecção e desenvolvimento da doença.

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