Tuberculose: Rastreamento de Contatos e Teste de Mantoux

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 43 anos, trabalhador em reciclagem, apresenta tosse produtiva há 4 semanas, perda de peso e sudorese noturna. Em relação aos familiares do paciente, qual deles deve realizar a prova tuberculínica (teste de Mantoux)?

Alternativas

  1. A) O pai, 67 anos, apresenta tosse produtiva e febre há 2 semanas. Está acamado por sequela de acidente vascular encefálico e mora na casa ao lado do paciente índice.
  2. B) A filha, 12 anos, estudante, apresenta sintomas de perda de peso, sudorese noturna e cansaço. Mora na mesma casa que o paciente índice.
  3. C) O irmão, 39 anos, assintomático, com emprego regular em mercado. É HIV positivo e mora na mesma casa que o paciente índice.
  4. D) A esposa, 41 anos, apresenta tosse há 1 semana, tratou tuberculose há 1 ano. Mora na mesma casa que o paciente índice.

Pérola Clínica

Contato intradomiciliar de TB ativa + HIV positivo → indicação prioritária de prova tuberculínica (Mantoux).

Resumo-Chave

A prova tuberculínica (teste de Mantoux) é indicada para contatos de casos de tuberculose ativa, especialmente aqueles com fatores de risco para desenvolver a doença. Entre as opções, o irmão HIV positivo que mora na mesma casa do paciente índice é o que apresenta o maior risco de desenvolver tuberculose ativa e, portanto, tem indicação prioritária para o rastreamento.

Contexto Educacional

O rastreamento de contatos de casos de tuberculose (TB) ativa é uma estratégia fundamental para o controle da doença, visando identificar indivíduos com infecção latente por tuberculose (ILTB) e aqueles que já desenvolveram a doença. A identificação precoce e o tratamento da ILTB, especialmente em grupos de alto risco, são cruciais para interromper a cadeia de transmissão e prevenir novos casos. A prova tuberculínica (PPD ou teste de Mantoux) é a principal ferramenta de rastreamento. A fisiopatologia da ILTB envolve a inalação do Mycobacterium tuberculosis e a contenção da infecção pelo sistema imunológico, sem desenvolvimento de doença ativa. No entanto, em indivíduos imunocomprometidos, como os HIV positivos, essa contenção pode falhar, levando à reativação da doença. O HIV é o principal fator de risco para a progressão da ILTB para TB ativa, devido à depleção de linfócitos T CD4+. A conduta para o rastreamento de contatos inclui a avaliação de todos os contatos intradomiciliares. A prova tuberculínica é indicada para todos os contatos, mas a interpretação e a necessidade de quimioprofilaxia variam conforme a idade, o estado imunológico e o resultado do teste. Indivíduos HIV positivos, independentemente do resultado do PPD (se não houver contraindicação), e crianças menores de 5 anos são grupos prioritários para quimioprofilaxia. Residentes devem estar cientes da importância do rastreamento e da estratificação de risco para um manejo eficaz da TB.

Perguntas Frequentes

Quem são considerados contatos de um caso de tuberculose ativa?

Contatos são pessoas que convivem ou conviveram com o paciente com tuberculose ativa, especialmente aqueles que compartilham o mesmo domicílio (contatos intradomiciliares) ou que tiveram exposição prolongada e próxima, como colegas de trabalho ou escola, dependendo da intensidade e duração do contato.

Qual a importância do teste de Mantoux (prova tuberculínica) no rastreamento de contatos?

O teste de Mantoux é crucial para identificar indivíduos com infecção latente por tuberculose (ILTB), que, embora assintomáticos, carregam o bacilo e têm risco de desenvolver a doença ativa. A identificação permite a oferta de quimioprofilaxia para prevenir a progressão para TB ativa, especialmente em grupos de alto risco.

Por que a infecção por HIV é um fator de risco tão importante para a tuberculose?

A infecção por HIV é o principal fator de risco para o desenvolvimento de tuberculose ativa em indivíduos com ILTB. A imunossupressão causada pelo HIV compromete a capacidade do sistema imunológico de conter o Mycobacterium tuberculosis, aumentando em 20 a 37 vezes o risco de progressão da ILTB para doença ativa.

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