FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Um paciente de 38 anos de idade, com diabetes tipo 1 há 12 anos, em seguimento ambulatorial, relatou dificuldades financeiras e, por isso, só dispunha de insulina NPH e insulina regular humana. Ele tinha histórico de hipoglicemias noturnas, especialmente entre 2h e 4h da manhã, com glicemias de jejum frequentemente <70 mg/dl. O paciente realizava três refeições diárias em horários regulares, mas tinha dificuldade para realizar contagem de carboidratos. O paciente utilizava um esquema de três aplicações diárias: NPH e regular pela manhã; regular antes do jantar; e NPH ao se deitar. O paciente monitorizava glicemia capilar antes das refeições e ao acordar. Assinale a opção que representa a estratégia mais adequada para rastreamento de complicações microvasculares e macrovasculares nesse paciente, considerando limitações de acesso e recursos.
Rastreio de complicações no DM1 inicia após 5 anos de diagnóstico ou na puberdade, sendo anual.
O rastreamento de complicações no DM1 deve ser anual e multifatorial, abrangendo retina, função renal, nervos periféricos e perfil lipídico para reduzir morbimortalidade.
O manejo do Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) em cenários de recursos limitados exige priorização de intervenções baseadas em evidências. O rastreamento anual multifatorial é o padrão-ouro para prevenir a progressão de complicações microvasculares (retina, rim e nervos) e macrovasculares (doença coronariana, cerebrovascular e arterial periférica). A abordagem deve incluir o controle da pressão arterial, perfil lipídico e cessação do tabagismo, além do controle glicêmico. A fisiopatologia das complicações envolve vias metabólicas ativadas pela hiperglicemia crônica, como a via dos polióis, estresse oxidativo e formação de produtos de glicação avançada (AGEs), que danificam o endotélio e os tecidos. No paciente citado, o histórico de hipoglicemias noturnas com o uso de NPH sugere a necessidade de ajuste posológico ou redistribuição das doses, mas não invalida a necessidade imperativa do rastreio anual de órgãos-alvo.
Diferente do Diabetes Tipo 2, onde o rastreamento começa no diagnóstico, no Diabetes Tipo 1 o rastreamento de complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia e neuropatia) deve ser iniciado 5 anos após o diagnóstico clínico ou no início da puberdade (o que ocorrer primeiro). Isso ocorre porque as complicações crônicas levam tempo para se desenvolver sob o efeito da hiperglicemia sustentada. No caso do paciente da questão, com 12 anos de doença, o rastreamento já deve ser realizado anualmente de forma rigorosa.
O rastreio de nefropatia diabética baseia-se na avaliação da albuminúria e da taxa de filtração glomerular estimada (TFGe). Recomenda-se a dosagem anual da relação albumina/creatinina urinária (RAC) em amostra isolada de urina e a dosagem de creatinina sérica para cálculo da TFGe. Resultados alterados de albuminúria devem ser confirmados em 2 de 3 amostras num período de 3 a 6 meses, devido a possíveis interferências como exercício físico intenso, infecções ou descompensação glicêmica aguda.
A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira evitável em adultos. O exame oftalmológico anual, preferencialmente com fundoscopia sob midríase ou retinografia, permite detectar precocemente alterações como microaneurismas, exsudatos e neovascularização. O tratamento precoce (como fotocoagulação a laser ou anti-VEGF) é altamente eficaz para prevenir a perda visual. Pacientes com DM1 de longa data, como o do caso clínico, apresentam risco progressivo, especialmente se o controle glicêmico for subótimo.
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