Diabetes Mellitus: Rastreamento de Complicações na APS

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Um dos principais motivos de consultas de condições crônicas em APS diz respeito ao acompanhamento de pacientes com Diabetes Mellitus, sendo necessário avaliação constante do risco cardiovascular, da adesão ao tratamento, das metas glicêmicas e de lesões de órgãos-alvo. Sobre a sistematização desse seguimento podemos afirmar CORRETAMENTE que:

Alternativas

  1. A) O exame de microalbuminúria deve ser solicitado somente em diabéticos com Hipertensão Arterial Sistêmica associada, uma vez que sua presença isoladamente não possui bom valor preditivo positivo para nefropatia diabética.
  2. B) É necessário orientar sobre sinais de hipoglicemia, mais comuns em pacientes que usam metformina quando comparados aos que utilizam insulina.
  3. C) O exame dos pés é essencial para avaliação do pé diabético e a presença de alterações articulares de qualquer grau é indicação de encaminhamento à cirurgia vascular para amputação.
  4. D) A investigação de retinopatia diabética deve se iniciar no momento do diagnóstico em pacientes com DM2.

Pérola Clínica

DM2: Rastreamento retinopatia diabética deve iniciar no diagnóstico; microalbuminúria em todos os diabéticos (DM1 após 5 anos).

Resumo-Chave

O acompanhamento do Diabetes Mellitus na Atenção Primária à Saúde (APS) é abrangente, visando o controle glicêmico e a prevenção de complicações. O rastreamento de retinopatia e nefropatia diabética é fundamental, com início no diagnóstico para DM2 e após 5 anos para DM1, e a metformina não causa hipoglicemia isoladamente.

Contexto Educacional

O acompanhamento de pacientes com Diabetes Mellitus na Atenção Primária à Saúde (APS) é um pilar fundamental para a prevenção de complicações crônicas e a melhoria da qualidade de vida. A avaliação constante do risco cardiovascular, da adesão ao tratamento e das metas glicêmicas é essencial. O rastreamento de complicações microvasculares, como a nefropatia e a retinopatia diabética, deve ser realizado de forma sistemática. Para a nefropatia, a microalbuminúria deve ser solicitada anualmente em todos os diabéticos (DM1 após 5 anos do diagnóstico e DM2 no momento do diagnóstico). Para a retinopatia, o exame de fundo de olho deve ser iniciado no diagnóstico para DM2 e após 5 anos para DM1, devido à natureza insidiosa da doença. É crucial orientar os pacientes sobre os sinais de hipoglicemia, que são mais comuns com o uso de insulina e sulfonilureias, e não com a metformina, que não estimula a secreção de insulina. O exame dos pés é vital para a prevenção do pé diabético, e alterações articulares, embora graves, não indicam automaticamente amputação, mas sim uma avaliação especializada para manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quando deve ser iniciado o rastreamento de retinopatia diabética?

Em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), o rastreamento de retinopatia diabética deve ser iniciado no momento do diagnóstico. Para pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1), o rastreamento geralmente começa 5 anos após o diagnóstico.

A metformina pode causar hipoglicemia?

Não, a metformina, por si só, não causa hipoglicemia, pois seu mecanismo de ação não envolve a estimulação da secreção de insulina. A hipoglicemia é mais comum em pacientes que usam insulina ou sulfonilureias, especialmente se houver dose inadequada ou omissão de refeições.

Qual a importância da microalbuminúria no acompanhamento do diabético?

A microalbuminúria é um marcador precoce de nefropatia diabética e um preditor de risco cardiovascular. Sua detecção permite intervenções precoces, como otimização do controle glicêmico e da pressão arterial, para retardar a progressão da doença renal. Deve ser rastreada anualmente em todos os diabéticos.

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