Rastreamento de Complicações em HAS e DM2: Guia Essencial

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 64 anos de idade, em tratamento para hipertensão arterial sistêmica e diabetes tipo 2, comparece à primeira consulta do ambulatório de clínica médica de um hospital do Sistema Único de Saúde - SUS. Relata que veio a este ambulatório porque na unidade básica de saúde perto de sua casa “não tem médico”. Relata fazer uso de losartana 50mg 2 vezes/dia, hidroclorotiazida 25 mg/dia, metformina 850mg 1vez ao dia, glicazida 90 mg/dia. Trouxe alguns exames realizados em internação prévia, por pneumonia bacteriana (há 2 meses): HbA1c: 12.5%; Creatinina: 1,6 mg/dL; (Taxa de Filtração Glomerular - TFG: 45 mL/min/1,73m2 ); Ureia: 53 mg/dL. Ao exame físico: bom estado geral, frequência respiratória = 20 incursões/minuto; Frequência cardíaca = 78 batimentos/minuto; pressão arterial = 170 x 80 mmHg; saturação de oxigênio = 97% (em ar ambiente). Restante do exame sem alterações significativas, a não ser presença de dermatite ocre, sem edemas ou lesões em membros inferiores (MMII). Quais exames de rastreamento para complicações das comorbidades devem ser solicitados?

Alternativas

  1. A) Sedimento urinário (Urina 1, hemograma e ultrassonografia de abdome total.
  2. B) Proteinúria de 24h, radiografia de tórax e ultrassonografia de rins e vias urinárias.
  3. C) Microalbuminúria, fundoscopia, eletrocardiograma de repouso.
  4. D) Relação proteína/creatinina, colesterol total, frações e triglicérides.

Pérola Clínica

DM2 + HAS → rastrear nefropatia (microalbuminúria), retinopatia (fundoscopia) e doença cardiovascular (ECG de repouso).

Resumo-Chave

Em pacientes com hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, o rastreamento de complicações micro e macrovasculares é fundamental. Isso inclui a avaliação da função renal (microalbuminúria), ocular (fundoscopia) e cardiovascular (ECG de repouso).

Contexto Educacional

Pacientes com hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes mellitus tipo 2 (DM2) apresentam um risco significativamente elevado de desenvolver complicações micro e macrovasculares, que impactam drasticamente a morbidade e mortalidade. O rastreamento regular dessas complicações é um pilar fundamental no manejo desses pacientes, visando a detecção precoce e a implementação de medidas preventivas ou terapêuticas. Entre os exames essenciais de rastreamento, destacam-se a microalbuminúria (ou relação albumina/creatinina na urina), que é um marcador precoce de nefropatia diabética e hipertensiva, indicando dano renal incipiente e risco cardiovascular aumentado. A fundoscopia anual é crucial para detectar a retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira. O eletrocardiograma de repouso é importante para avaliar a presença de doença arterial coronariana silenciosa ou outras alterações cardíacas, dado o alto risco cardiovascular desses pacientes. Além desses, o perfil lipídico completo, a avaliação da função renal (creatinina, TFG) e o controle glicêmico (HbA1c) são rotineiros. A abordagem integrada e o rastreamento sistemático permitem um manejo mais eficaz, prevenindo a progressão das complicações e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Por que a microalbuminúria é importante no rastreamento de DM2 e HAS?

A microalbuminúria é um marcador precoce de nefropatia diabética e hipertensiva, indicando dano renal incipiente e risco aumentado de doença cardiovascular. Sua detecção permite intervenções precoces para retardar a progressão da doença renal.

Qual a frequência recomendada para a fundoscopia em pacientes diabéticos?

A fundoscopia deve ser realizada anualmente em pacientes com diabetes tipo 2, a partir do diagnóstico, para rastreamento de retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira e complicação microvascular grave.

Quais as principais complicações cardiovasculares a serem rastreadas em DM2 e HAS?

As principais complicações cardiovasculares incluem doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral e doença arterial periférica. O eletrocardiograma de repouso é um exame inicial importante para avaliar o risco cardíaco e detectar isquemia silenciosa.

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