SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Chega à unidade Mônica, 34 anos, com o filho Henrique, 9 anos. A mãe refere que Henrique, desde o início da pandemia de COVID-19, com as aulas online, passou a ficar mais tempo que o habitual em frente ao computador e no celular, reduzindo significativamente as atividades ao ar livre. Mônica preocupa- se com o ganho de peso de Henrique no último ano e tem medo do filho ter diabetes, já que tem história na sua família dessa doença (avó paterna de Henrique) e que ela mesma tem obesidade e recebeu diagnóstico do seu médico - dados do nascimento e acompanhamento de crescimento e desenvolvimento no primeiro ano de vida não apresentam alterações. Ao exame físico, apresenta peso de 48kg, altura 1,40m (escore z>1 e <2), IMC 24,48 kg/m² (escore z=3), pressão arterial de 110/70mmHg, não tem outras alterações que chamem atenção. Sobre a conduta diante desse caso, além de prover apoio psicossocial e realizar uma abordagem familiar, você, como médico(a) de família e comunidade, deve:
Obesidade infantil com história familiar de DM2/obesidade → rastrear comorbidades metabólicas (dislipidemia, glicemia, ALT).
Em crianças com obesidade e fatores de risco adicionais (história familiar de DM2, obesidade materna), a investigação de comorbidades metabólicas é fundamental. A solicitação de exames como perfil lipídico, glicemia de jejum e ALT permite identificar precocemente dislipidemia, pré-diabetes/diabetes e esteatose hepática não alcoólica, direcionando a intervenção.
A obesidade infantil é uma epidemia global com sérias implicações para a saúde pública. Sua prevalência crescente está diretamente associada ao aumento de comorbidades metabólicas, como diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia e esteatose hepática não alcoólica, que antes eram predominantemente observadas em adultos. O manejo eficaz requer uma abordagem multifacetada, incluindo intervenções no estilo de vida e rastreamento ativo de complicações. A fisiopatologia da obesidade pediátrica envolve uma complexa interação entre fatores genéticos, ambientais e comportamentais, levando ao acúmulo excessivo de gordura corporal. O diagnóstico é feito pelo IMC, e a presença de fatores de risco como história familiar de diabetes ou obesidade materna, ou sinais clínicos como acantose nigricans, deve alertar para a necessidade de investigação de comorbidades. A conduta inicial inclui orientação sobre hábitos alimentares saudáveis e aumento da atividade física. Contudo, em casos com fatores de risco, a solicitação de exames laboratoriais como perfil lipídico, glicemia de jejum e ALT é crucial para identificar precocemente dislipidemia, pré-diabetes/diabetes e esteatose hepática, permitindo intervenções mais específicas e evitando a progressão das doenças.
Devem ser solicitados colesterol total, HDL, triglicerídeos, glicemia de jejum e alanina aminotransferase (ALT) para avaliar dislipidemia, pré-diabetes/diabetes e esteatose hepática.
O rastreamento é indicado para crianças obesas com fatores de risco adicionais, como história familiar de diabetes tipo 2, obesidade materna, hipertensão ou dislipidemia.
A ALT é um marcador importante para rastrear esteatose hepática não alcoólica (EHNA), uma comorbidade comum e grave da obesidade infantil, que pode progredir para esteato-hepatite e cirrose.
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