Critérios de Rastreamento para Câncer de Pulmão (2025)

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025

Enunciado

O rastreamento anual para câncer de pulmão deve ser oferecido para qual dos pacientes abaixo?

Alternativas

  1. A) Homem, 78 anos, portador de neoplasia de próstata em estádio IVB, ex-tabagista há 25 anos, com carga tabágica de 20 maços-ano.
  2. B) Homem, 40 anos, sem comorbidades, ex-tabagista há 5 anos, com carga tabágica de 5 maçosano.
  3. C) Mulher, 65 anos, portadora de diabetes, ex-tabagista há 10 anos, com carga tabágica de 40 maços-ano.
  4. D) Mulher, 82 anos, portadora de hipertensão arterial sistêmica, tabagista ativa há 52 anos, com carga tabágica de 8 maços-ano.

Pérola Clínica

Idade 50-80a + ≥20 maços-ano + Ativo ou Parou <15a → TCBD anual.

Resumo-Chave

O rastreamento de câncer de pulmão com TC de baixa dosagem (TCBD) reduz a mortalidade em populações de alto risco definidas por idade e exposição tabágica significativa.

Contexto Educacional

O câncer de pulmão permanece como a principal causa de morte por câncer no mundo, frequentemente diagnosticado em estágios avançados. O rastreamento visa deslocar o diagnóstico para estágios iniciais (I e II), onde a sobrevida em 5 anos é drasticamente superior. A implementação do rastreio exige uma abordagem multidisciplinar e o uso de protocolos como o Lung-RADS para padronizar o manejo de achados incidentais. É crucial que o médico residente compreenda que o rastreamento não substitui o aconselhamento para cessação tabágica, que continua sendo a intervenção mais custo-efetiva na redução do risco de câncer de pulmão. Além disso, a discussão sobre riscos (falsos-positivos, sobrediagnóstico e exposição à radiação) deve ser feita de forma compartilhada com o paciente antes do início do programa de rastreio.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios atuais para rastreamento de câncer de pulmão?

De acordo com as diretrizes da USPSTF e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), o rastreamento anual com tomografia de tórax de baixa dosagem (TCBD) é indicado para adultos entre 50 e 80 anos que apresentam uma carga tabágica de pelo menos 20 maços-ano e que sejam fumantes ativos ou tenham parado de fumar nos últimos 15 anos. A carga tabágica é calculada multiplicando o número de maços fumados por dia pelo número de anos de tabagismo. O rastreamento deve ser interrompido se o paciente não fuma há mais de 15 anos ou se desenvolver um problema de saúde que limite substancialmente a expectativa de vida.

Por que a alternativa C é a correta e a A está incorreta?

A alternativa C descreve uma mulher de 65 anos (dentro da faixa de 50-80), ex-tabagista há 10 anos (dentro do limite de 15 anos) e com carga de 40 maços-ano (acima do mínimo de 20), preenchendo todos os critérios. A alternativa A, embora tenha idade e carga tabágica, apresenta uma neoplasia de próstata estádio IVB. O rastreamento não é indicado quando há comorbidades graves que limitam a expectativa de vida ou a capacidade de tolerar uma cirurgia pulmonar curativa, pois o benefício do diagnóstico precoce é anulado pela doença de base.

Qual a importância da Tomografia de Baixa Dosagem (TCBD)?

A TCBD é o único método de imagem validado para o rastreamento de câncer de pulmão que demonstrou redução significativa na mortalidade específica pela doença (cerca de 20% no estudo NLST). Ela utiliza uma dose de radiação muito menor que a TC convencional (cerca de 1,5 mSv), permitindo a detecção de nódulos pulmonares em estágios iniciais e ressecáveis. O uso de radiografia de tórax ou citologia de escarro não é recomendado para rastreamento, pois não demonstraram redução de mortalidade em grandes ensaios clínicos.

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