Rastreamento de Câncer de Pulmão: Critérios e Indicações

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023

Enunciado

Como deve ser o rastreamento para câncer de pulmão em um paciente homem, de 60 anos de idade, ex-tabagista, 30 maços/ano, sem fumar há 5, com DPOC controlada em uso de terapia inalatória otimizada:

Alternativas

  1. A) Não deve ser realizado, visto que já parou de fumar.
  2. B) Deve ser realizado com radiografia de tórax anual.
  3. C) Pode ser realizado com tomografia de tórax de baixa dose de radiação, considerando comorbidades e expectativa de vida
  4. D) É mandatório ser realizado em todos os pacientes com carga tabágica acima de 20 maços/ano.

Pérola Clínica

Idade 50-80 anos + Carga ≥ 20 maços/ano + Ativo ou parou < 15 anos → TC de baixa dose anual.

Resumo-Chave

O rastreamento reduz a mortalidade por câncer de pulmão em populações de alto risco. A decisão deve considerar a expectativa de vida e a capacidade do paciente de tolerar tratamentos curativos.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer de pulmão é uma estratégia de prevenção secundária crucial, dado que a maioria dos casos é diagnosticada em estágios avançados. O National Lung Screening Trial (NLST) consolidou a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) como o padrão-ouro, reduzindo a mortalidade em cerca de 20% em comparação com a radiografia simples. A carga tabágica é calculada multiplicando o número de maços fumados por dia pelos anos de tabagismo. No caso apresentado, o paciente possui 60 anos e 30 maços/ano, tendo parado há apenas 5 anos, o que o enquadra perfeitamente nos critérios de rastreamento. A avaliação de comorbidades, como a DPOC controlada, é essencial para garantir que o paciente se beneficie de intervenções caso um nódulo maligno seja detectado, pois o screening só faz sentido se houver proposta terapêutica viável.

Perguntas Frequentes

Quem deve realizar o rastreamento para câncer de pulmão?

Segundo a USPSTF e as principais diretrizes brasileiras, adultos de 50 a 80 anos com carga tabágica de pelo menos 20 maços/ano, que fumam atualmente ou pararam nos últimos 15 anos, devem ser rastreados anualmente.

Por que utilizar a tomografia de baixa dose em vez da radiografia?

A TC de baixa dose possui maior sensibilidade para detectar lesões iniciais e foi o único método que demonstrou redução significativa na mortalidade específica por câncer de pulmão em grandes ensaios clínicos (NLST e NELSON), enquanto a radiografia falhou em mostrar benefício.

Quando interromper o rastreamento anual?

O rastreamento deve ser interrompido se o paciente não fuma há mais de 15 anos, desenvolve um problema de saúde que limita substancialmente a expectativa de vida ou perde a capacidade/vontade de realizar cirurgia pulmonar curativa.

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