Rastreamento Câncer de Próstata: Quando Indicar PSA?

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022

Enunciado

Fabio, 52 anos, comparece à consulta, pois sua esposa insistiu, após ver a propaganda do novembro azul nas redes sociais. O médico pergunta se tem alguma queixa, e ele nega, mas diz que está receoso, porque não quer fazer o exame do toque retal, mas soube que poderia realizar o exame de PSA. Diante desse caso, o médico deve

Alternativas

  1. A) explicar que o exame do toque retal não é necessário e solicitar o PSA total e livre.
  2. B) orientar que não existe a indicação de solicitar os exames em homens assintomáticos.
  3. C) informar a importância de realizar o toque retal e oferecer a realização do exame nessa consulta.
  4. D) encaminhar o paciente ao urologista para a realização do toque retal e solicitar o PSA total.

Pérola Clínica

Rastreamento câncer próstata em assintomáticos: decisão compartilhada, sem indicação universal < 55 anos.

Resumo-Chave

As diretrizes atuais não recomendam o rastreamento universal do câncer de próstata em homens assintomáticos, especialmente abaixo dos 55 anos, devido à baixa relação risco-benefício e ao risco de sobrediagnóstico e sobretratamento. A decisão deve ser individualizada e compartilhada com o paciente.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer de próstata é um tema controverso na medicina, com diretrizes que evoluíram significativamente nas últimas décadas. O objetivo do rastreamento é identificar o câncer em estágios iniciais, quando o tratamento pode ser mais eficaz. No entanto, a eficácia do rastreamento universal na redução da mortalidade por câncer de próstata é debatida, e ele está associado a riscos importantes. Os principais métodos de rastreamento são o exame de toque retal (TR) e a dosagem do antígeno prostático específico (PSA) no sangue. O PSA é uma glicoproteína produzida pela próstata, e seus níveis podem estar elevados em condições benignas (hiperplasia prostática benigna, prostatite) ou malignas. A interpretação do PSA deve considerar a idade, volume prostático e outros fatores. As diretrizes atuais, como as da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e outras entidades internacionais, enfatizam a importância da decisão compartilhada. Para homens assintomáticos com risco médio, o rastreamento geralmente é discutido a partir dos 50 anos, e para aqueles com alto risco (história familiar de câncer de próstata em parente de primeiro grau antes dos 60 anos ou etnia negra), a partir dos 40-45 anos. A interrupção do rastreamento é recomendada para homens com expectativa de vida inferior a 10-15 anos. A questão ressalta que, para um homem de 52 anos assintomático, sem outros fatores de risco mencionados, a indicação de rastreamento não é universal, e a discussão sobre riscos e benefícios é primordial.

Perguntas Frequentes

Qual a idade recomendada para iniciar o rastreamento do câncer de próstata?

As diretrizes variam, mas geralmente o rastreamento é discutido a partir dos 50 anos para homens com risco médio, ou 40-45 anos para aqueles com alto risco (história familiar, etnia negra), sempre com decisão compartilhada.

Quais são os riscos do rastreamento do câncer de próstata?

Os riscos incluem resultados falso-positivos, biópsias desnecessárias, sobrediagnóstico de cânceres indolentes que nunca causariam sintomas e sobretratamento, que pode levar a incontinência urinária e disfunção erétil.

O que é a decisão compartilhada no rastreamento do câncer de próstata?

É um processo onde o médico e o paciente discutem os prós e contras do rastreamento, considerando as preferências, valores e histórico de saúde do paciente, para tomar uma decisão informada em conjunto.

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