INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Paciente de 83 anos, sexo masculino, diabético, cardiopata grave e dislipidêmico, sofreu infarto agudo do miocárdio há 5 anos, tendo sido tratado com colocação de 2 stents. Nesse período, não realizou os ajustes nos hábitos de vida ou na dieta. Sua família pergunta da possibilidade de realizar rastreamento para câncer de próstata no paciente.Conforme as recomendações do Ministério da Saúde, a conduta mais adequada no caso é
Idoso >75 anos com comorbidades graves e baixa expectativa de vida → NÃO indicar rastreamento de câncer de próstata.
O rastreamento de câncer de próstata em idosos muito fragilizados ou com comorbidades graves e expectativa de vida reduzida não é recomendado. Os potenciais danos do rastreamento (biópsia, tratamento de câncer indolente) superam os benefícios, que são mínimos ou inexistentes nesse grupo.
O rastreamento do câncer de próstata é um tema controverso na saúde pública, especialmente em relação à população idosa. No Brasil, as diretrizes do Ministério da Saúde enfatizam a decisão compartilhada entre médico e paciente, considerando os riscos e benefícios individuais. A idade e a expectativa de vida são fatores cruciais, pois o câncer de próstata é frequentemente de crescimento lento, e muitos homens idosos morrerão com o câncer, e não do câncer. A avaliação da expectativa de vida é fundamental para decidir sobre o rastreamento. Pacientes com comorbidades graves, como cardiopatia grave, diabetes descompensado e histórico de eventos cardiovasculares, geralmente possuem uma expectativa de vida reduzida. Nesses casos, os potenciais danos do rastreamento (ansiedade, biópsias, complicações de tratamento de um câncer indolente) superam os benefícios, que seriam mínimos ou inexistentes. Portanto, a conduta mais adequada é não indicar o rastreamento, focando na qualidade de vida e no manejo das comorbidades existentes. É importante que o residente compreenda que a medicina baseada em evidências e as diretrizes de saúde pública priorizam a individualização do cuidado, evitando intervenções que não trarão benefício real ao paciente.
As recomendações do Ministério da Saúde sugerem discutir o rastreamento com homens a partir dos 50 anos, ou 45 anos para grupos de risco, considerando a decisão compartilhada e a expectativa de vida.
Em idosos com comorbidades graves e expectativa de vida limitada, o câncer de próstata, que geralmente tem progressão lenta, dificilmente causará sintomas ou morte antes de outras doenças. O tratamento pode gerar mais morbidade do que benefício.
Os riscos incluem resultados falso-positivos, biópsias desnecessárias com complicações (infecção, sangramento), e o tratamento de cânceres indolentes (supertratamento) que pode levar a incontinência urinária, disfunção erétil e complicações cirúrgicas.
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