Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2020
A campanha Novembro Azul é uma iniciativa de entidades médicas e filantrópicas que tem recebido apoio de empresas, organizações não governamentais e secretarias de saúde que talvez não conheçam os problemas que envolvem o rastreamento do câncer de próstata. Em primeiro lugar, rastreamento significa uma ação feita para identificar uma doença (ou fator de risco) antes que ela se manifeste ou piore, com o objetivo de diminuir o adoecimento e a mortalidade - ou seja, fazer as pessoas viverem mais e melhor. É o que fazemos ao pedir que uma pessoa aparentemente saudável saia da sua casa e faça, por exemplo, uma sorologia de HIV ou uma coleta de papanicolau. Embora se diga que o Novembro Azul visa estimular o homem a cuidar da sua saúde e a realizar exames preventivos, o foco no câncer de próstata fica evidente nos sítios da campanha, em seu material informativo e na divulgação pela mídia. A campanha afirma que ""a única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce"", e recomenda que todos os homens com mais de 50 anos - ou 45, no caso de negros e parentes de primeiro grau de indivíduos que tiveram a doença - procurem anualmente um urologista para fazer o exame de toque retal e a dosagem de PSA (antígeno prostático específico) no sangue. Essa, entretanto, não é a recomendação de respeitadas instituições nacionais e estrangeiras. Em 2012, o United States Preventive Services Task Force (USPSTF) passou a contraindicar o rastreamento de câncer de próstata baseado em PSA para homens estadunidenses de qualquer idade. Assinale a alternativa correta de acordo com o texto acima: I. Em 2013, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) passou a recomendar que não se organizassem programas de rastreamento para o câncer da próstata, e que homens que demandassem espontaneamente a realização de exames de rastreamento fossem informados por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados a esta prática, ""por existirem evidências científicas de boa qualidade de que o rastreamento do câncer de próstata produz mais dano do que benefício"". Na verdade, desde 2010, o Ministério da Saúde já duvidava da indicação desses exames, por não haver evidências científicas suficientes para justificá-lo. Outras entidades reconhecidas internacionalmente, como o Canadian Task Force on Preventive Health Care, o American Academy of Family Physicians8 e o United Kingdom National Screening Comittee, fazem recomendações semelhantes. II. Os homens devem ser vistos de forma integral, e a eles devem ser dirigidos cuidados preventivos adequados, de forma regular. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade considera que os homens, de fato, precisam dar e receber mais atenção à sua saúde, mas as evidências científicas mais recentes deixam claro que isso não deve ser feito através da dosagem do PSA ou realização de toque retal em pessoas que não apresentam qualquer sintoma. III. Fazer PSA com ou sem toque retal não diminui a mortalidade geral dos homens, e muda muito pouco a mortalidade específica por câncer de próstata.
Rastreamento de câncer de próstata com PSA/toque retal em assintomáticos tem mais danos que benefícios, não reduz mortalidade geral.
As principais instituições de saúde não recomendam o rastreamento populacional do câncer de próstata com PSA e toque retal devido à falta de evidências de redução da mortalidade geral e aos riscos de sobrediagnóstico e sobretratamento. O foco deve ser na saúde integral do homem.
O rastreamento do câncer de próstata, especialmente através da dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA) e do exame de toque retal, tem sido objeto de intenso debate na comunidade médica. Embora campanhas como o Novembro Azul visem conscientizar sobre a saúde masculina, o foco no rastreamento do câncer de próstata levanta questões importantes sobre a relação risco-benefício dessa prática em homens assintomáticos. Diversas instituições de saúde renomadas, tanto nacionais quanto internacionais, como o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o United States Preventive Services Task Force (USPSTF), têm revisado suas recomendações, desaconselhando o rastreamento populacional organizado. A principal razão é a ausência de evidências científicas robustas que demonstrem uma redução significativa na mortalidade geral dos homens submetidos a esses exames. Pelo contrário, o rastreamento pode levar a um sobrediagnóstico de cânceres indolentes (que nunca causariam problemas ao paciente) e a um sobretratamento, com procedimentos invasivos (biópsias, cirurgias, radioterapia) que acarretam riscos de complicações como incontinência urinária, disfunção erétil e ansiedade. Para residentes, é fundamental compreender que a medicina baseada em evidências prioriza intervenções que comprovadamente melhoram a qualidade e a expectativa de vida. No caso do câncer de próstata, a abordagem mais atualizada sugere que a decisão de realizar o rastreamento deve ser individualizada e compartilhada entre médico e paciente, após uma discussão clara sobre os potenciais benefícios e, principalmente, os riscos envolvidos. O foco deve ser na promoção de uma saúde masculina integral, que vai além da detecção precoce de uma única doença, abrangendo hábitos de vida saudáveis, prevenção de outras condições e acompanhamento médico regular.
O rastreamento é controverso porque estudos mostram que ele não diminui significativamente a mortalidade geral e pode levar a sobrediagnóstico e sobretratamento. Muitos cânceres de próstata são indolentes e nunca causariam sintomas ou morte, mas seu diagnóstico leva a biópsias e tratamentos com efeitos colaterais como incontinência e disfunção erétil.
Instituições como o Instituto Nacional de Câncer (INCA) no Brasil, o United States Preventive Services Task Force (USPSTF), o Canadian Task Force on Preventive Health Care e a American Academy of Family Physicians não recomendam programas de rastreamento organizado para o câncer de próstata.
A abordagem recomendada é focar na saúde integral do homem. Para o câncer de próstata, homens que demandam o rastreamento devem ser informados sobre os riscos e benefícios associados, permitindo uma decisão compartilhada com o médico, em vez de um rastreamento universal e indiscriminado.
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