Rastreamento Câncer de Próstata: Decisão Compartilhada

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2018

Enunciado

Usuário, 52 anos, previamente hígido, deseja pedido do PSA. Ele está assintomático e nega antecedentes de neoplasia na família. Refere que fazia acompanhamento médico anterior e que, em fevereiro deste ano, faz exames de sangue e ECG e que todos estavam normais. Qual a melhor orientação segundo a literatura baseada em evidências?

Alternativas

  1. A) Fazer o pedido do exame, pois a única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce, e a Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que todos os homens com mais de 50 anos procurem anualmente um urologista para fazer o exame de toque retal e a dosagem de PSA no sangue.
  2. B) Não solicitar o exame e orientar a equipe a não realizar mais campanhas destinadas ao público masculino seguindo aos moldes do "Novembro Azul", pois, desde 2012, o United States Preventive Services Task Force (USPSTF) passou a contraindicar o rastreamento de câncer de próstata baseado em PSA para homens americanos de qualquer idade.
  3. C) Decidir junto com o paciente, pois desde 2013 o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não recomenda a organização de programas de rastreamento para o câncer da próstata, e caso o paciente demande estes exames, que fossem informados por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados a essa prática.
  4. D) Solicitar o exame, pois de acordo com a Canadian Task Force on Preventive Health Care o pequeno benefício da coleta compensa os potenciais malefícios, quase sempre relacionados à realização desnecessária de biópsia prostática, o impacto psicológico causado por um resultado falso positivo e as sequelas do tratamento. 

Pérola Clínica

Rastreamento de câncer de próstata (PSA/toque) → decisão compartilhada, informando riscos (sobrediagnóstico, sobretratamento) e benefícios.

Resumo-Chave

As diretrizes atuais para o rastreamento do câncer de próstata, incluindo as do INCA, enfatizam a decisão compartilhada com o paciente. É fundamental discutir os potenciais benefícios (diagnóstico precoce) e riscos (sobrediagnóstico, biópsias desnecessárias, sobretratamento e seus efeitos adversos) antes de solicitar exames como o PSA.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer de próstata, tradicionalmente realizado com a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico) e o exame de toque retal, é um tema de intenso debate na medicina. Embora o diagnóstico precoce possa identificar cânceres curáveis, estudos demonstraram que o rastreamento em massa leva a um sobrediagnóstico significativo de cânceres indolentes, que nunca progrediriam para causar danos ao paciente. Esse sobrediagnóstico, por sua vez, resulta em sobretratamento, com pacientes sendo submetidos a biópsias e terapias (cirurgia, radioterapia) que acarretam riscos de complicações como disfunção erétil, incontinência urinária e impacto psicológico, sem um benefício claro na sobrevida global ou na qualidade de vida. Por essa razão, diversas entidades, como o Instituto Nacional de Câncer (INCA) no Brasil e o United States Preventive Services Task Force (USPSTF) nos EUA, têm revisado suas recomendações. A abordagem atual, baseada em evidências, preconiza a 'decisão compartilhada'. Isso significa que o médico deve apresentar ao paciente, de forma equilibrada, os potenciais benefícios e os riscos do rastreamento, permitindo que o indivíduo faça uma escolha informada e alinhada com suas preferências e valores. Para o residente, é crucial dominar essa comunicação e as evidências por trás das recomendações para oferecer uma medicina de alta qualidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais riscos associados ao rastreamento do câncer de próstata com PSA?

Os principais riscos incluem o sobrediagnóstico de cânceres indolentes que nunca causariam sintomas, biópsias prostáticas desnecessárias com suas complicações (infecção, sangramento) e o sobretratamento, que pode levar a disfunção erétil, incontinência urinária e outros efeitos adversos.

O que significa a 'decisão compartilhada' no contexto do rastreamento de câncer de próstata?

A decisão compartilhada implica que o médico deve informar o paciente de forma clara e imparcial sobre os potenciais benefícios e malefícios do rastreamento, permitindo que o paciente, com base em seus valores e preferências, participe ativamente da escolha de realizar ou não os exames.

Qual a recomendação do INCA sobre o rastreamento populacional do câncer de próstata?

Desde 2013, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não recomenda a organização de programas de rastreamento populacional para o câncer de próstata, devido à incerteza sobre o balanço entre benefícios e riscos, e sugere que a decisão seja individualizada e informada.

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