UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2018
Usuário, 52 anos, previamente hígido, deseja pedido do PSA. Ele está assintomático e nega antecedentes de neoplasia na família. Refere que fazia acompanhamento médico anterior e que, em fevereiro deste ano, faz exames de sangue e ECG e que todos estavam normais. Qual a melhor orientação segundo a literatura baseada em evidências?
Rastreamento de câncer de próstata (PSA/toque) → decisão compartilhada, informando riscos (sobrediagnóstico, sobretratamento) e benefícios.
As diretrizes atuais para o rastreamento do câncer de próstata, incluindo as do INCA, enfatizam a decisão compartilhada com o paciente. É fundamental discutir os potenciais benefícios (diagnóstico precoce) e riscos (sobrediagnóstico, biópsias desnecessárias, sobretratamento e seus efeitos adversos) antes de solicitar exames como o PSA.
O rastreamento do câncer de próstata, tradicionalmente realizado com a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico) e o exame de toque retal, é um tema de intenso debate na medicina. Embora o diagnóstico precoce possa identificar cânceres curáveis, estudos demonstraram que o rastreamento em massa leva a um sobrediagnóstico significativo de cânceres indolentes, que nunca progrediriam para causar danos ao paciente. Esse sobrediagnóstico, por sua vez, resulta em sobretratamento, com pacientes sendo submetidos a biópsias e terapias (cirurgia, radioterapia) que acarretam riscos de complicações como disfunção erétil, incontinência urinária e impacto psicológico, sem um benefício claro na sobrevida global ou na qualidade de vida. Por essa razão, diversas entidades, como o Instituto Nacional de Câncer (INCA) no Brasil e o United States Preventive Services Task Force (USPSTF) nos EUA, têm revisado suas recomendações. A abordagem atual, baseada em evidências, preconiza a 'decisão compartilhada'. Isso significa que o médico deve apresentar ao paciente, de forma equilibrada, os potenciais benefícios e os riscos do rastreamento, permitindo que o indivíduo faça uma escolha informada e alinhada com suas preferências e valores. Para o residente, é crucial dominar essa comunicação e as evidências por trás das recomendações para oferecer uma medicina de alta qualidade.
Os principais riscos incluem o sobrediagnóstico de cânceres indolentes que nunca causariam sintomas, biópsias prostáticas desnecessárias com suas complicações (infecção, sangramento) e o sobretratamento, que pode levar a disfunção erétil, incontinência urinária e outros efeitos adversos.
A decisão compartilhada implica que o médico deve informar o paciente de forma clara e imparcial sobre os potenciais benefícios e malefícios do rastreamento, permitindo que o paciente, com base em seus valores e preferências, participe ativamente da escolha de realizar ou não os exames.
Desde 2013, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não recomenda a organização de programas de rastreamento populacional para o câncer de próstata, devido à incerteza sobre o balanço entre benefícios e riscos, e sugere que a decisão seja individualizada e informada.
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