UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
O rastreamento consiste na aplicação de procedimentos diagnósticos em indivíduos assintomáticos, selecionando-os para intervenções cujos benefícios suplantem o dano potencial reduzindo morbimortalidade. Assinale a alternativa INCORRETA com relação ao tipo de rastreamento e o grau de recomendação:
Rastreamento de câncer de próstata (PSA + toque retal) em homens > 50 anos tem recomendação C ou D, NÃO B, devido a controvérsias.
O rastreamento do câncer de próstata com PSA e toque retal em homens assintomáticos é controverso e não possui grau de recomendação B universalmente, sendo frequentemente classificado como C ou D por organizações como a USPSTF, devido ao risco de sobrediagnóstico e sobretratamento.
O rastreamento em saúde pública consiste na aplicação de testes ou exames em indivíduos assintomáticos de uma população para identificar precocemente doenças, permitindo intervenções que reduzam a morbimortalidade. Para que um programa de rastreamento seja recomendado, seus benefícios devem claramente suplantar os potenciais danos, e a doença deve ter uma história natural bem compreendida e um tratamento eficaz disponível. A questão aborda os graus de recomendação para diversos rastreamentos. Enquanto o rastreamento para hipertensão arterial, neoplasia colorretal (com pesquisa de sangue oculto nas fezes), diabetes mellitus tipo 2 em grupos de risco e hipotireoidismo congênito (teste do pezinho) possuem fortes recomendações (grau A ou B) por diversas sociedades e órgãos de saúde, o rastreamento do câncer de próstata é um tema de grande controvérsia. O rastreamento do câncer de próstata em homens assintomáticos, utilizando a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico) e o toque retal, não possui um grau de recomendação B universalmente. Organizações como a US Preventive Services Task Force (USPSTF) frequentemente atribuem um grau C (decisão individualizada após discussão com o paciente sobre riscos e benefícios) para homens entre 55 e 69 anos, e um grau D (não recomendado) para homens acima de 70 anos. Isso se deve à preocupação com o sobrediagnóstico (identificação de cânceres indolentes que nunca causariam problemas) e o sobretratamento, que pode levar a complicações significativas como incontinência urinária e disfunção erétil, sem um benefício claro na redução da mortalidade geral. Portanto, a alternativa C está incorreta ao afirmar um grau de recomendação B.
As recomendações variam, mas muitas diretrizes, como a USPSTF, dão um grau C (decisão individualizada após discussão) ou D (não recomendado) para homens acima de 70 anos, e C para homens entre 55-69 anos, devido aos potenciais danos do sobrediagnóstico e sobretratamento.
Os argumentos incluem o sobrediagnóstico de cânceres indolentes que nunca causariam sintomas, o sobretratamento com efeitos adversos significativos (incontinência, disfunção erétil) e a falta de evidências robustas de redução da mortalidade geral.
Um bom programa de rastreamento deve ter uma doença com alta prevalência e morbimortalidade, um teste de rastreamento eficaz e seguro, um tratamento disponível e eficaz para a doença detectada precocemente, e que os benefícios do rastreamento superem os danos potenciais.
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