SUS-RR - Sistema Único de Saúde de Roraima — Prova 2019
Assinale a alternativa que completa CORRETAMENTE a frase abaixo. João, 39 anos de idade, sem precedentes patológicos e sem sintomas. Procurou a unidade de saúde para fazer um check-up. Sua esposa Marta insiste para o médico faça o exame da próstata. João é ex-tabagista há mais de vinte anos, não usa nenhuma medicação e nunca fez nenhuma cirurgia. Ao exame físico: 75 kg, 1,75 m, pressão arterial 110/70 mmHg. Em relação ao rastreio do câncer de próstata, o médico de família deve:
Rastreio de câncer de próstata em <40 anos assintomáticos sem HF → mais riscos que benefícios, discutir com paciente.
O rastreamento do câncer de próstata em homens jovens (abaixo de 40-45 anos) e assintomáticos, sem histórico familiar relevante, não é recomendado pelas principais diretrizes. A discussão sobre os riscos e benefícios do rastreamento é crucial, pois pode levar a sobrediagnóstico e sobretratamento, com impactos negativos na qualidade de vida.
O rastreamento do câncer de próstata é um tema controverso na medicina, com diretrizes que evoluíram significativamente nas últimas décadas. Atualmente, a maioria das sociedades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e o Ministério da Saúde, não recomenda o rastreamento universal para todos os homens. Em vez disso, preconiza-se a discussão individualizada dos riscos e benefícios com o paciente, especialmente para aqueles com idade entre 50 e 75 anos. Para homens jovens, como o caso do enunciado (39 anos), e sem fatores de risco adicionais como histórico familiar de câncer de próstata em parentes de primeiro grau antes dos 60 anos, o rastreamento com PSA e toque retal não é recomendado. A evidência científica sugere que, nessa faixa etária, os riscos de sobrediagnóstico (identificação de cânceres indolentes que não causariam danos) e sobretratamento (intervenções desnecessárias com efeitos adversos significativos) superam os potenciais benefícios. A Medicina de Família e Comunidade enfatiza a importância da tomada de decisão compartilhada. O médico deve informar o paciente sobre os prós e contras do rastreamento, incluindo a possibilidade de resultados falso-positivos, biópsias desnecessárias e as complicações de tratamentos como cirurgia ou radioterapia (disfunção erétil, incontinência urinária). Somente após essa discussão completa, o paciente pode fazer uma escolha informada sobre realizar ou não o rastreamento, considerando suas preferências e valores pessoais.
A discussão sobre o rastreamento geralmente é iniciada entre 45 e 50 anos para homens com risco médio, ou a partir dos 40-45 anos para aqueles com histórico familiar de câncer de próstata em parentes de primeiro grau.
Os riscos incluem resultados falso-positivos, biópsias desnecessárias com suas complicações, sobrediagnóstico de cânceres indolentes que nunca causariam sintomas, e sobretratamento com efeitos adversos como disfunção erétil e incontinência urinária.
A discussão compartilhada é essencial para que o paciente compreenda os potenciais benefícios (redução marginal da mortalidade) e os riscos (sobrediagnóstico, sobretratamento, efeitos adversos) do rastreamento, permitindo uma decisão informada e alinhada com seus valores e preferências.
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