MedEvo Simulado — Prova 2026
Ricardo, um homem de 55 anos, comparece à Unidade Básica de Saúde para uma consulta de rotina. Ele relata estar preocupado com o câncer de próstata, pois um colega de trabalho realizou exames preventivos recentemente e o incentivou a fazer o mesmo. Ricardo é assintomático, nega dificuldades miccionais, hematúria ou dor lombar. Não possui histórico familiar de neoplasia prostática em parentes de primeiro grau. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, com abdome sem massas e genitália externa normal. Considerando as diretrizes do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o rastreamento do câncer de próstata, qual é a conduta inicial mais adequada?
MS/INCA: Sem rastreio populacional organizado; priorizar decisão compartilhada sobre riscos/benefícios.
O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento universal sistemático devido ao risco de sobrediagnóstico e sobretratamento, focando na autonomia do paciente assintomático.
O debate sobre o rastreamento do câncer de próstata é um exemplo clássico de prevenção secundária versus prevenção quaternária. Enquanto o diagnóstico precoce visa reduzir a mortalidade, o rastreamento em larga escala através do PSA apresenta alta taxa de falsos positivos e detecção de tumores de crescimento lento que não ameaçariam a vida do paciente (overdiagnosis). As diretrizes do Ministério da Saúde priorizam a estratégia de 'saúde do homem' integral, focando em sintomas e na educação do paciente. O médico deve estar preparado para explicar que a ausência de sintomas e de histórico familiar reduz o benefício líquido do rastreio sistemático.
O INCA e o Ministério da Saúde baseiam-se em evidências que mostram que o rastreamento organizado (em massa) não reduz significativamente a mortalidade global e expõe muitos homens a riscos de biópsias desnecessárias, incontinência urinária e impotência sexual decorrentes do sobretratamento de tumores indolentes.
É o processo onde o médico informa ao paciente assintomático sobre as incertezas do rastreio, explicando que o PSA pode detectar cânceres que nunca causariam problemas, permitindo que o paciente decida se deseja realizar os exames após entender os riscos e benefícios.
Diferente do MS/INCA, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda o rastreio anual a partir dos 50 anos (ou 45 para grupos de risco). No entanto, para provas de residência focadas em Saúde Coletiva e SUS, a diretriz do Ministério da Saúde (decisão compartilhada) prevalece.
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