SMS São José do Rio Preto - Secretaria Municipal de Saúde (SP) — Prova 2024
A respeito da dosagem de Antígeno Prostático Específico (PSA) como exame de rastreio para câncer de próstata, assinale a alternativa correta.
Rastreio de câncer de próstata com PSA: controverso, risco de sobrediagnóstico/sobretratamento > benefício em rastreio universal.
O rastreamento universal do câncer de próstata com PSA é controverso devido ao risco de sobrediagnóstico de tumores indolentes e sobretratamento, que pode levar a complicações como incontinência e disfunção erétil, sem um claro benefício na redução da mortalidade específica.
O rastreamento do câncer de próstata com a dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA) e o toque retal tem sido um tema de intenso debate na medicina. Embora o PSA possa detectar o câncer de próstata em estágios iniciais, a questão central reside na sua capacidade de diferenciar entre tumores agressivos e indolentes, e se o rastreamento universal realmente confere um benefício líquido na redução da mortalidade específica por câncer de próstata, superando os malefícios. Estudos de grande porte, como o PLCO e o ERSPC, mostraram resultados conflitantes ou benefícios marginais na redução da mortalidade, com um custo significativo em termos de sobrediagnóstico e sobretratamento. O sobrediagnóstico ocorre quando um câncer é detectado, mas nunca causaria sintomas ou morte durante a vida do paciente. O sobretratamento, por sua vez, expõe esses pacientes a intervenções (cirurgia, radioterapia) com riscos de complicações como incontinência urinária, disfunção erétil e infecções, sem um ganho real em sobrevida. Atualmente, as principais sociedades médicas, como a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF) e a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), recomendam uma abordagem de decisão compartilhada. Isso significa que a discussão sobre o rastreamento deve ser individualizada, considerando a idade do paciente, expectativa de vida, histórico familiar de câncer de próstata e suas preferências pessoais, após serem informados sobre os potenciais benefícios e riscos do rastreamento. Não há uma indicação universal para o rastreamento com PSA.
É controverso devido ao risco de sobrediagnóstico de cânceres indolentes que nunca causariam sintomas, levando a biópsias e tratamentos desnecessários com potenciais efeitos adversos (incontinência, disfunção erétil), sem um benefício claro na redução da mortalidade geral.
Os principais malefícios incluem ansiedade, complicações de biópsias (infecção, sangramento), e efeitos adversos do tratamento (cirurgia ou radioterapia) como disfunção erétil, incontinência urinária e problemas intestinais, muitas vezes para cânceres que não seriam clinicamente significativos.
A maioria das diretrizes não recomenda o rastreamento universal. Em vez disso, sugerem uma discussão individualizada entre médico e paciente sobre os potenciais benefícios e riscos, considerando a idade, expectativa de vida, histórico familiar e preferências do paciente, para uma decisão compartilhada.
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