HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024
Homem, 68 anos, com diabetes mellitus tipo 2, vem à consulta para avaliar a próstata. Refere redução da libido e nega sintomas do trato urinário inferior ou queixas evacuatórias. Tem história de neoplasia de próstata em três familiares (tio, irmão e primo). A última avaliação urológica foi há 4 anos, com PSA total 2,86 ng/mL. Ao exame de toque retal: próstata com aproximadamente 60 g, sulco mediano, consistência elástica habitual, superfície lisa e sem nódulos palpáveis. PSA total atual 2,80 ng/mL e diferencial PSA livre/total de 30,4%. Ecografia abdominal total e pélvica: rins normais, bexiga com paredes delgadas e espessura de 4 mm, próstata de 72 g, sem resíduo pós-miccional. Em relação ao caso, qual é a melhor conduta?
Homem > 50 anos com PSA < 4 ng/mL e toque retal normal → Rastreamento anual com PSA e toque retal.
Em pacientes com PSA total abaixo do limite de biópsia (geralmente 4 ng/mL) e toque retal normal, mesmo com fatores de risco como história familiar e próstata aumentada (sugestiva de HPB), a conduta padrão é o rastreamento anual. A relação PSA livre/total é útil para refinar o risco em PSA entre 4-10 ng/mL, mas não é o principal critério para biópsia abaixo de 4 ng/mL.
O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens no Brasil, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. O rastreamento precoce é fundamental para identificar a doença em estágios iniciais, quando as chances de cura são maiores. No entanto, o rastreamento deve ser individualizado, considerando idade, histórico familiar e comorbidades do paciente, e sempre discutido os riscos e benefícios. A avaliação inicial para o rastreamento do câncer de próstata envolve o toque retal e a dosagem do PSA total. Um PSA total abaixo de 4 ng/mL e um toque retal normal geralmente indicam baixo risco, mesmo na presença de hiperplasia prostática benigna (HPB), que pode elevar o PSA. A relação PSA livre/total é mais útil para refinar o risco em pacientes com PSA na 'zona cinzenta' (4-10 ng/mL). No caso apresentado, o paciente tem fatores de risco (idade, história familiar, próstata aumentada), mas o PSA total está baixo (2,80 ng/mL) e o toque retal é normal. A relação PSA livre/total de 30,4% é tranquilizadora, indicando baixa probabilidade de câncer. Portanto, a conduta mais adequada é manter o rastreamento anual com toque retal e PSA, monitorando a evolução, em vez de partir para exames de imagem avançados que não são indicados para rastreamento primário.
Os principais métodos são o exame digital retal (toque retal) e a dosagem sérica do antígeno prostático específico (PSA total).
A relação PSA livre/total é um marcador auxiliar que ajuda a diferenciar câncer de próstata de hiperplasia prostática benigna, especialmente em pacientes com PSA total entre 4 e 10 ng/mL. Valores mais baixos da relação (<25%) aumentam a suspeita de câncer.
A biópsia é indicada quando há suspeita de câncer de próstata, geralmente por PSA elevado (acima de 4 ng/mL ou com elevação progressiva) ou toque retal alterado, ou em casos de relação PSA livre/total desfavorável.
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