ENARE/ENAMED — Prova 2024
Um homem saudável de 48 anos comparece à UBS para realizar o PSA, pois viu, em um anúncio, que deve realizar tal exame para se proteger do câncer de próstata. Ele consultou-se com o médico da família e comunidade e relatou que vinha fazendo o PSA todos os anos, parou na pandemia e, agora, gostaria de fazer novamente. Considerando que o PSA é um exame que apresenta elevado risco ao paciente devido ao seu baixo valor preditivo positivo, em relação ao desejo desse paciente em realizar o PSA, assinale a conduta correta
Rastreamento de câncer de próstata com PSA: decisão compartilhada é essencial devido a baixo VPP e riscos de sobrediagnóstico/biópsia.
O rastreamento do câncer de próstata com PSA é controverso devido ao seu baixo valor preditivo positivo, levando a muitos falsos positivos, biópsias desnecessárias e sobrediagnóstico. A conduta correta envolve a decisão compartilhada com o paciente, explicando os riscos e benefícios para que ele possa tomar uma decisão informada.
O rastreamento do câncer de próstata com o Antígeno Prostático Específico (PSA) é um tema de grande debate na medicina, especialmente na Atenção Primária à Saúde. Embora o PSA possa detectar o câncer de próstata precocemente, sua baixa especificidade e valor preditivo positivo resultam em um número significativo de falsos positivos, levando a investigações invasivas e desnecessárias, como biópsias, e ao sobrediagnóstico de cânceres de próstata indolentes que nunca progrediriam clinicamente. A abordagem mais recomendada atualmente é a decisão compartilhada entre médico e paciente. Isso implica que o médico deve apresentar de forma clara e compreensível os potenciais benefícios do rastreamento (uma pequena redução na mortalidade por câncer de próstata) e, principalmente, os riscos associados, como a ansiedade gerada por resultados alterados, os riscos da biópsia (infecção, sangramento) e os efeitos adversos do tratamento (disfunção erétil, incontinência urinária) para cânceres que poderiam não ser clinicamente significativos. A idade e as comorbidades do paciente também devem ser consideradas. Para o residente, é fundamental desenvolver habilidades de comunicação para conduzir essa conversa de forma empática e educativa, capacitando o paciente a tomar uma decisão informada que esteja alinhada com seus valores e preferências. A Medicina de Família e Comunidade enfatiza essa abordagem centrada no paciente, priorizando a prevenção quaternária, que visa proteger os indivíduos de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas.
O rastreamento com PSA é controverso devido ao seu baixo valor preditivo positivo, o que significa que muitos resultados elevados não indicam câncer. Isso pode levar a biópsias desnecessárias, ansiedade, sobrediagnóstico de cânceres indolentes que nunca causariam sintomas e potenciais complicações do tratamento, como incontinência e disfunção erétil.
A decisão compartilhada é um processo no qual médico e paciente discutem juntos as opções de rastreamento, considerando as preferências, valores e o perfil de risco individual do paciente. O médico deve fornecer informações claras sobre os benefícios potenciais (redução de mortalidade) e os riscos (falsos positivos, sobrediagnóstico, complicações de biópsia e tratamento) para que o paciente possa fazer uma escolha informada.
Um PSA elevado pode levar à necessidade de uma biópsia de próstata, que não é isenta de riscos, como infecção, sangramento e dor. Além disso, pode resultar no sobrediagnóstico de cânceres de próstata indolentes, que não necessitariam de tratamento, mas que, uma vez diagnosticados, podem levar a tratamentos agressivos com efeitos adversos significativos na qualidade de vida.
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