Rastreamento Câncer de Ovário: Quem e Quando Rastrear?

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Nos casos de câncer de ovário, não há evidências sólidas de que o rastreamento por USG pélvica transvaginal afete a mortalidade. No estudo PLCO Trial, envolvendo 28.746 pacientes assintomáticas submetidas à ultrassonografia transvaginal e CA125 anualmente, os resultados de 5,8% dos testes foram anormais, com 566 cirurgias, e 72% dos casos de cancêr se encontravam em estágio avançado. Considerando essas informações, assinale a opção correta:

Alternativas

  1. A) A ultrassonografia transvaginal é considerada anormal na menopausa em caso de volume ovariano > 10 a 20cm³ ou na presença de imagens anexiais complexas.
  2. B) Quando a ultrassonografia transvaginal está alterada não deve ser adicionada dosagem de CA125 para aumentar a sensibilidade do rastreamento.
  3. C) Não foi observado aumento da especificidade do diagnóstico de câncer de ovário com a adição do antígeno HE4 à ultrassonografia transvaginal e ao CA 125.
  4. D) O HE4 apresenta sensibilidade semelhante ao CA125 nos casos de câncer de ovário, quando comparados aos casos- controle, e a sensibilidade menor, quando comparados aos casos benignos.
  5. E) O rastreio do câncer de ovário somente deve ser recomendado em pacientes de alto risco, a partir dos 30 aos 35 anos de idade ou 10 anos antes do primeiro caso familiar.

Pérola Clínica

Rastreio de câncer de ovário = Apenas em alto risco (genético), a partir dos 30-35 anos ou 10 anos antes do caso familiar mais jovem.

Resumo-Chave

O rastreamento populacional para câncer de ovário com USG transvaginal e CA125 não demonstrou redução da mortalidade e pode levar a excesso de cirurgias desnecessárias. Portanto, o rastreamento é recomendado apenas para pacientes de alto risco, geralmente com histórico familiar ou mutações genéticas conhecidas, seguindo protocolos específicos de idade.

Contexto Educacional

O câncer de ovário é uma neoplasia ginecológica com alta mortalidade, principalmente devido ao diagnóstico tardio, já que a maioria dos casos é detectada em estágios avançados. A busca por métodos eficazes de rastreamento populacional tem sido intensa, mas, até o momento, não há evidências sólidas de que o rastreamento por ultrassonografia transvaginal e dosagem de CA125 em mulheres assintomáticas da população geral afete a mortalidade. O estudo PLCO Trial, por exemplo, demonstrou que essa abordagem leva a um grande número de testes anormais e cirurgias desnecessárias, sem benefício na sobrevida. A baixa prevalência da doença na população geral, a falta de um marcador tumoral ou método de imagem com alta sensibilidade e especificidade, e a natureza agressiva da doença contribuem para a ineficácia do rastreamento populacional. O CA125, embora útil no acompanhamento de pacientes já diagnosticadas, não é específico o suficiente para rastreamento, pois pode estar elevado em diversas condições benignas. O HE4, outro marcador, tem sido estudado, mas sua adição ao CA125 e USG não demonstrou aumento significativo da especificidade para rastreamento populacional. Diante dessas evidências, as diretrizes atuais recomendam o rastreamento do câncer de ovário apenas para pacientes consideradas de alto risco. Isso inclui mulheres com mutações genéticas conhecidas (como BRCA1/BRCA2) ou com forte histórico familiar de câncer de ovário ou síndromes de câncer hereditário. Nesses casos, o rastreamento é iniciado em idades específicas (geralmente 30-35 anos ou 10 anos antes do caso mais jovem na família) com USG transvaginal e CA125 anuais, embora a salpingo-ooforectomia bilateral profilática seja a estratégia mais eficaz para reduzir o risco. Para residentes, é fundamental compreender essa distinção para evitar a solicitação de exames desnecessários e focar a atenção nos grupos de maior risco.

Perguntas Frequentes

Por que o rastreamento populacional de câncer de ovário não é recomendado?

O rastreamento populacional com USG transvaginal e CA125 não demonstrou redução da mortalidade em grandes estudos, como o PLCO Trial. Além disso, apresenta baixa especificidade, levando a um alto número de falsos positivos e cirurgias desnecessárias, com seus riscos inerentes.

Quem são consideradas pacientes de alto risco para câncer de ovário?

Pacientes de alto risco são aquelas com síndromes genéticas hereditárias, como mutações nos genes BRCA1/BRCA2, Síndrome de Lynch, ou com forte histórico familiar de câncer de ovário, mama ou colorretal.

Quando o rastreamento é indicado para pacientes de alto risco?

Para pacientes de alto risco, o rastreamento geralmente é iniciado entre os 30 e 35 anos de idade, ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do caso mais jovem na família, com exames anuais de USG transvaginal e CA125, embora a salpingo-ooforectomia profilática seja a medida mais eficaz.

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