Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2021
Mulher de 50 anos de idade procura orientação sobre rastreamento de câncer de ovário, pois sua amiga da mesma idade faleceu recentemente dessa doença. É tercipara, não é tabagista e faz terapia hormonal combinada. Não tem antecedentes familiares oncológicos. Deve ser orientada a realizar anualmente:
Rastreamento câncer de ovário em mulheres de risco médio = NÃO recomendado CA-125 ou USG transvaginal. Apenas exame ginecológico de rotina.
Para mulheres assintomáticas e de risco médio para câncer de ovário, as diretrizes atuais não recomendam o rastreamento com dosagem de CA-125 ou ultrassonografia transvaginal. Esses métodos possuem alta taxa de falso-positivos, levando a procedimentos invasivos desnecessários sem benefício comprovado na redução da mortalidade. O exame ginecológico anual de rotina é a conduta adequada.
O câncer de ovário é uma neoplasia ginecológica com alta mortalidade, muitas vezes diagnosticada em estágios avançados devido à ausência de sintomas específicos precoces e à falta de um método de rastreamento eficaz para a população geral. A questão sobre rastreamento é um ponto crucial e frequentemente abordado em provas de residência. As diretrizes atuais de sociedades médicas como ACOG, USPSTF e FEBRASGO são claras: não há recomendação para rastreamento de câncer de ovário em mulheres assintomáticas de risco médio utilizando marcadores tumorais como o CA-125 ou exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal. A razão principal é a baixa sensibilidade e especificidade desses métodos, que resultam em altas taxas de falso-positivos, levando a cirurgias desnecessárias e seus riscos associados, sem demonstrar redução da mortalidade. Para a mulher de risco médio, o exame ginecológico anual de rotina, que inclui a anamnese, exame físico geral e ginecológico (inspeção, palpação bimanual), continua sendo a conduta padrão. A orientação deve focar na atenção aos sintomas persistentes e inespecíficos que podem sugerir a doença (distensão abdominal, dor pélvica, saciedade precoce) e na busca por atendimento médico caso ocorram. É fundamental que o residente compreenda a diferença entre rastreamento em população de risco médio e vigilância em grupos de alto risco genético.
O CA-125 é um marcador tumoral com baixa especificidade para câncer de ovário, podendo estar elevado em diversas condições benignas (endometriose, miomas, doença inflamatória pélvica, gravidez). Isso resulta em muitos falso-positivos, levando a ansiedade e procedimentos invasivos desnecessários sem benefício comprovado na redução da mortalidade por câncer de ovário.
Não, a ultrassonografia transvaginal (USTV) não é recomendada para rastreamento de câncer de ovário em mulheres assintomáticas de risco médio. Assim como o CA-125, a USTV tem limitações na detecção precoce e pode gerar falso-positivos, sem evidências de redução da mortalidade em estudos de rastreamento populacional.
O rastreamento intensivo (com CA-125 e USTV) é reservado para mulheres com alto risco genético para câncer de ovário, como aquelas com mutações nos genes BRCA1/BRCA2 ou com síndromes hereditárias específicas (ex: Síndrome de Lynch). Nesses casos, a salpingooforectomia bilateral profilática é a medida mais eficaz.
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