Rastreamento de Câncer: O que Fazer e o que Evitar

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020

Enunciado

O médico de família e comunidade recebeu Gabriela, de 43 anos de idade, nega comorbidades, uso de medicamentos ou histórico familiar de doenças. Faz uso de álcool (um copo de caipirinha aos finais de semana), não fuma e pratica atividade física três vezes por semana. Nega doenças na família. Gostaria de fazer um checkup, os últimos foram há dois anos e estavam normais (Papanicolau, mamografia, ultrassonografia transvaginal e de tireoide e exame de sangue). Ao exame físico, sem alterações, pressão arterial de 108 x 72 mmHg e IMC de 28. Com base nessa situação nas orientações de rastreamento do Ministério da Saúde e nas revisões do US Task Force, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas

  1. A) A mamografia não está indicada nesse momento para o rastreamento de câncer de mama em Gabriela.
  2. B) A ultrassonografia transvaginal está indicada como forma de rastreamento de câncer de ovário, com ou sem dosagem de CEA e CEA 125.
  3. C) O papanicolau não está indicado para Gabriela nesse momento.
  4. D) O papanicolau é contraindicado em pacientes com menos de 21 anos de idade sem histórico de HIV e (ou aumento de risco para câncer cervical.
  5. E) A ultrassonografia de tireoide não está indicada para rastreamento de câncer de tireoide.

Pérola Clínica

USG transvaginal e CEA 125 NÃO são indicados para rastreamento de câncer de ovário em mulheres assintomáticas de risco populacional médio.

Resumo-Chave

As diretrizes de rastreamento populacional, tanto do Ministério da Saúde quanto do USPSTF, não recomendam a ultrassonografia transvaginal ou marcadores tumorais (como CEA e CEA 125) para o rastreamento de câncer de ovário em mulheres sem fatores de risco ou sintomas, devido à baixa sensibilidade e especificidade, e alto índice de falsos positivos.

Contexto Educacional

O rastreamento de câncer é uma estratégia de saúde pública fundamental para a detecção precoce de doenças, permitindo intervenções mais eficazes e melhor prognóstico. No entanto, é crucial seguir as diretrizes baseadas em evidências para evitar exames desnecessários, que podem gerar ansiedade, custos e até danos por falsos positivos. A idade da paciente (43 anos) e a ausência de fatores de risco são determinantes para as recomendações. Para o câncer de mama, o Ministério da Saúde recomenda mamografia bienal para mulheres de 50 a 69 anos. Para o câncer de colo uterino, o Papanicolau é indicado a cada três anos após dois exames anuais normais, iniciando aos 25 anos. A ultrassonografia transvaginal e marcadores como o CA-125 não são recomendados para rastreamento de câncer de ovário em mulheres assintomáticas de risco populacional médio devido à baixa acurácia. Da mesma forma, a ultrassonografia de tireoide não é indicada para rastreamento de câncer de tireoide na população geral. Compreender as indicações e contraindicações dos exames de rastreamento é essencial para a prática médica baseada em evidências. A escolha correta dos exames otimiza recursos, reduz a exposição a riscos desnecessários e foca na detecção de doenças com impacto real na saúde do paciente, evitando a medicalização excessiva e o sobrediagnóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os exames de rastreamento recomendados para câncer de mama?

A mamografia é o principal exame de rastreamento para câncer de mama, geralmente indicada a partir dos 50 anos pelo Ministério da Saúde, ou 40-45 anos em outras diretrizes, para mulheres sem fatores de risco.

Por que a ultrassonografia transvaginal não é indicada para rastreamento de câncer de ovário?

A ultrassonografia transvaginal e os marcadores tumorais como o CA-125 não são recomendados para rastreamento populacional de câncer de ovário devido à sua baixa sensibilidade e especificidade, levando a muitos falsos positivos e procedimentos invasivos desnecessários.

Quando o Papanicolau deve ser realizado para rastreamento de câncer de colo uterino?

No Brasil, o rastreamento com Papanicolau inicia aos 25 anos para mulheres que já tiveram atividade sexual, com repetição anual e, se dois exames normais consecutivos, a cada três anos.

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