SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Homem transgênero de 51 anos com histórico de depressão e tabagismo comparece para acompanhamento anual. Ele fez a transição social aos 18 anos e tem feito o tratamento semanal com testosterona subcutânea desde então. O tratamento de afirmação de gênero incluiu histerectomia e ooforectomia, além do uso de bandagens para diminuir o tamanho dos seios. Ele diz estar feliz com seu humor, a masculinização geral e a aparência física. Ao exame físico: sinais vitais normais: IMC: 29,5 kg/m²; aparência totalmente masculinizada; seios no estágio 5 de Tanner e uso de um colete; sua pontuação no Ferriman-Gallwey é 24. Os resultados laboratoriais anuais dos hormônios sexuais estão normais. Nesse momento, constitui a próxima conduta adequada:
Homem trans com tecido mamário residual e >50 anos → Rastreio de CA de mama com mamografia (igual cis).
Homens transgênero que não realizaram mastectomia masculinizante mantêm o risco de câncer de mama e devem seguir os protocolos de rastreamento por idade e fatores de risco da população feminina cisgênero.
O cuidado à saúde de pessoas transgênero exige uma abordagem baseada nos órgãos presentes. Homens transgênero que mantêm tecido mamário (não realizaram cirurgia de afirmação de gênero torácica) estão sujeitos ao câncer de mama. A obesidade (IMC 29,5) e o tabagismo são fatores de risco adicionais que reforçam a necessidade de vigilância. A testosterona promove a atrofia do tecido glandular, mas não o elimina completamente. Além disso, a ausência de útero e ovários (pós-histerectomia e ooforectomia) elimina a necessidade de rastreio cervical e reduz riscos ginecológicos, mas o foco deve permanecer na mama e na saúde cardiovascular e metabólica.
Sim, se ainda possuírem colo uterino. No caso clínico, o paciente realizou histerectomia total, o que dispensa o rastreio de câncer de colo de útero, a menos que haja histórico de lesões precursoras de alto grau.
Não há evidências robustas de que a testosterona aumente o risco de câncer de mama em homens trans, mas o tecido mamário residual permanece sensível a estímulos e pode desenvolver neoplasias independentemente da hormonização.
As diretrizes sugerem seguir o protocolo para mulheres cisgênero (geralmente a partir dos 50 anos no Brasil pelo MS, ou 40 anos por sociedades especialistas) se não houver mastectomia prévia.
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