Rastreamento Câncer de Mama: Diretrizes e Idade Certa

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Ana, uma mulher de 35 anos de idade, casada, possui uma filha de 7 anos de idade, a qual foi amamentada exclusivamente até os 6 meses de idade. Essa mãe comparece à consulta de rotina anual na UBS. Após a consulta, a médica solicita exames visando à prevenção de agravos de saúde e aos rastreamentos, segundo é preconizado pelo Ministério de Saúde para a idade de Ana. Após as explicações dos exames pedidos, a médica nota que a paciente se encontra apreensiva e preocupada e pergunta se ela tem alguma dúvida em relação às explicações dadas. Ana, então, relata que está preocupada, pois a médica não pediu mamografia e gostaria de fazer esse exame, pois sua vizinha faleceu de câncer de mama recentemente e Ana relata ter muito medo de não descobrir uma doença como essa precocemente.Nesse caso hipotético, após ouvir o pedido e a preocupação de sua paciente, considerando a medicina centrada na pessoa, os fundamentos conceituais de testes diagnósticos e as recomendações do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer em relação ao rastreamento de neoplasia mamária, a médica deve

Alternativas

  1. A) dispensar a solicitação de mamografia, uma vez que, na idade da paciente, a prevalência da doença é baixa, o que aumenta o risco de falso-positivo.
  2. B) solicitar a mamografia, visando a trazer conforto emocional à paciente, segundo a orientação fornecida pela medicina centrada na pessoa.
  3. C) dispensar a solicitação de mamografia, uma vez que a probabilidade pré-teste da doença é baixa, o que aumenta o risco de falso-negativo.
  4. D) solicitar a mamografia, devido à baixa probabilidade de falso-positivo, ficando, assim, resguardada, caso haja um futuro processo.
  5. E) solicitar a mamografia, como preconizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia, devido à alta prevalência da doença nessa faixa etária.

Pérola Clínica

Rastreamento mamográfico MS/INCA: 50-69 anos, bienal. Mamografia < 40-50 anos = ↑ falso-positivos, ↓ sensibilidade.

Resumo-Chave

As diretrizes do Ministério da Saúde e do INCA recomendam o rastreamento mamográfico para câncer de mama em mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos. Em mulheres mais jovens, como Ana (35 anos), a baixa prevalência da doença e a maior densidade mamária aumentam o risco de resultados falso-positivos e de biópsias desnecessárias, superando os potenciais benefícios do rastreamento.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer de mama é uma estratégia de saúde pública fundamental para a detecção precoce da doença, visando reduzir a mortalidade. No Brasil, as diretrizes do Ministério da Saúde (MS) e do Instituto Nacional de Câncer (INCA) são a base para as políticas de rastreamento, sendo crucial que o residente as domine para uma prática clínica adequada e baseada em evidências. As recomendações atuais do MS e INCA preconizam a realização de mamografia de rastreamento para mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, com periodicidade bienal. Essa faixa etária foi definida após análise cuidadosa do balanço entre os benefícios (redução da mortalidade por câncer de mama) e os riscos (falso-positivos, biópsias desnecessárias, ansiedade e exposição à radiação). Para mulheres fora dessa faixa etária, o rastreamento populacional não é recomendado, sendo a conduta individualizada para casos de alto risco. No caso de pacientes jovens, como Ana (35 anos), a solicitação de mamografia de rastreamento é desaconselhada. Isso se deve à menor prevalência da doença nessa idade, o que aumenta a probabilidade de resultados falso-positivos, e à maior densidade mamária, que reduz a sensibilidade do exame. Embora a medicina centrada na pessoa valorize a escuta e a preocupação do paciente, a conduta médica deve ser sempre pautada em evidências científicas, explicando os riscos e benefícios para que a paciente tome uma decisão informada, evitando danos potenciais de exames desnecessários.

Perguntas Frequentes

Quais são as recomendações do Ministério da Saúde e do INCA para o rastreamento mamográfico do câncer de mama?

O Ministério da Saúde e o INCA recomendam o rastreamento mamográfico bienal para mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, por considerarem que nessa população o benefício supera os riscos, como o de falso-positivos e sobrediagnóstico.

Por que a mamografia não é recomendada para rastreamento em mulheres jovens sem fatores de risco?

Em mulheres jovens, a mama é mais densa, o que diminui a sensibilidade da mamografia para detectar lesões. Além disso, a baixa prevalência de câncer de mama nessa faixa etária aumenta significativamente a chance de resultados falso-positivos, gerando ansiedade e procedimentos invasivos desnecessários.

Como a medicina centrada na pessoa se aplica ao dilema da solicitação de exames de rastreamento?

A medicina centrada na pessoa envolve ouvir as preocupações do paciente e estabelecer uma comunicação clara. No entanto, ela deve ser aliada à prática baseada em evidências, explicando os riscos e benefícios de cada exame, para que a decisão seja compartilhada e informada, evitando danos por exames desnecessários.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo