Rastreamento Câncer de Mama: Diretrizes e Evidências no SUS

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2019

Enunciado

Durante a campanha do Outubro Rosa, o médico de família recebe um ofício circular da Secretaria de Saúde informando que, tendo em vista o apoio ao movimento do Outubro Rosa, a Secretaria contratualizou novos serviços de mamografia do município e que não haverá restrição no número de exames a serem realizados durante este mês. Muitas mulheres vêm à unidade de saúde solicitar que sejam submetidas à mamografia. Várias delas não estão dentro da faixa preconizada para o rastreamento com o exame e algumas já foram submetidas ao exame no ano passando, estando o resultado sem alteração que sugerisse outra etapa para o rastreamento. Com base no melhor conhecimento científico existente, o médico de família deve:

Alternativas

  1. A) Oferecer o exame para as mulheres dentro da faixa etária e periodicidade preconizadas pelo Inca / Ministério da Saúde.
  2. B) Relativizar as informações, porque as condutas recomendadas pelo Ministério da Saúde devem ser aplicadas em situações de recursos escassos e como não há restrição, ampliar a faixa etária para mulheres, a partir dos 40 anos.
  3. C) Aproveitar a oportunidade de não haver restrição na oferta de exames e solicitar mamografia para todas as mulheres que desejam ser submetidas ao exame.
  4. D) Solicitar mamografia para as pacientes entre 40 e 65 anos e naquelas acima de 65 e abaixo de 40 anos, solicitar ultrassonografia das mamas como rastreamento.

Pérola Clínica

Rastreamento mamográfico no SUS: Mulheres 50-69 anos, bienal. Ampliar sem evidência ↑ sobrediagnóstico e ansiedade.

Resumo-Chave

O rastreamento do câncer de mama deve seguir as diretrizes baseadas em evidências do Ministério da Saúde/INCA, que preconizam mamografia bienal para mulheres de 50 a 69 anos. A ampliação indiscriminada do rastreamento, mesmo com maior oferta, pode levar a sobrediagnóstico, exames desnecessários e ansiedade, sem benefício comprovado.

Contexto Educacional

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, excluindo o câncer de pele não melanoma. O rastreamento populacional, que visa a detecção precoce da doença em mulheres assintomáticas, é uma estratégia fundamental para reduzir a mortalidade. No entanto, é crucial que esse rastreamento seja guiado por evidências científicas para maximizar os benefícios e minimizar os danos. No Brasil, as diretrizes do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA) preconizam a mamografia de rastreamento bienal para mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos. Essa recomendação é baseada em estudos que demonstram o melhor balanço entre a redução da mortalidade por câncer de mama e os potenciais malefícios do rastreamento, como o sobrediagnóstico (detecção de lesões que nunca evoluiriam para câncer clinicamente significativo), falso-positivos, biópsias desnecessárias e ansiedade. Apesar da pressão por campanhas como o Outubro Rosa, que aumentam a conscientização, é responsabilidade do médico de família e de outros profissionais de saúde seguir as recomendações baseadas em evidências. A ampliação indiscriminada do rastreamento para faixas etárias não recomendadas ou com periodicidade anual não demonstrou benefício adicional na redução da mortalidade e pode, na verdade, causar mais danos do que benefícios. A conduta correta é oferecer o exame apenas para as mulheres que se enquadram nos critérios de idade e periodicidade estabelecidos, explicando os motivos e promovendo a saúde de forma integral.

Perguntas Frequentes

Qual a faixa etária e periodicidade recomendadas para o rastreamento mamográfico no SUS?

O Ministério da Saúde, através do INCA, recomenda a mamografia de rastreamento para mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, com periodicidade bienal. Essa recomendação é baseada em evidências de custo-efetividade e balanço entre benefícios e riscos.

Quais são os riscos do rastreamento mamográfico em faixas etárias não recomendadas?

O rastreamento em faixas etárias mais jovens (abaixo de 50 anos) ou mais velhas (acima de 69 anos) sem indicação clínica específica pode aumentar os riscos de sobrediagnóstico, falso-positivos, biópsias desnecessárias, ansiedade e exposição à radiação, sem um benefício claro na redução da mortalidade.

Como o médico de família deve abordar a solicitação de mamografia fora das diretrizes?

O médico de família deve acolher a demanda da paciente, explicar de forma clara e empática as diretrizes de rastreamento baseadas em evidências, os riscos e benefícios da mamografia, e reforçar a importância do autoexame e do conhecimento do próprio corpo, além de realizar o exame clínico das mamas.

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