Rastreamento de Câncer de Mama: Quando Iniciar?

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 50 anos de idade vai a consulta em UBS com queixa de corrimento vaginal acinzentado e com odor fétido na última semana. Refere também que gostaria de realizar check-up, pois não se consulta com médico há mais de 10 anos e está preocupada, pois a própria mãe foi diagnosticada com câncer de mama quando tinha 68 anos de idade. História médica pregressa: G6P6A0, diagnóstico prévio de sífilis tratada recentemente e coitarca aos 14 anos de idade. Tabagista de um maço de cigarro ao dia desde os 15 anos de idade. Considerando esse caso clínico e os conhecimentos médicos relacionados à saúde da mulher, julgue o item a seguir. Deverá ser solicitada mamografia de rastreamento para a paciente. A história descrita de câncer na mãe, aos 68 anos de idade, não indicaria o rastreamento da paciente em idade mais precoce que a população de baixo risco.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Rastreamento mamográfico (MS) = 50-69 anos, bienal, para mulheres de risco padrão.

Resumo-Chave

O rastreamento de rotina no Brasil inicia aos 50 anos. Histórico familiar de câncer de mama em parente de 1º grau após os 50 anos não configura alto risco.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer de mama no Brasil segue as diretrizes do Ministério da Saúde, focando na faixa etária de maior benefício líquido (50 a 69 anos). A identificação correta do risco é fundamental: pacientes com história familiar 'tardia' (parentes de 1º grau diagnosticados após os 50 anos) seguem o protocolo da população geral. Já pacientes de alto risco exigem acompanhamento individualizado, muitas vezes iniciando o rastreamento aos 35 anos com mamografia anual e, por vezes, ressonância magnética. Além do rastreamento, a consulta de rotina na UBS deve abordar queixas ginecológicas agudas, como a vaginose bacteriana, e fatores de risco modificáveis, como o tabagismo, que impactam globalmente a saúde da mulher e aumentam o risco de diversas neoplasias.

Perguntas Frequentes

Quem é considerada uma paciente de alto risco para câncer de mama?

Segundo o Ministério da Saúde, o grupo de alto risco inclui mulheres com: 1) História familiar de câncer de mama em parente de primeiro grau antes dos 50 anos; 2) História familiar de câncer de mama bilateral ou de ovário em qualquer idade; 3) História familiar de câncer de mama masculino; 4) Diagnóstico histopatológico de lesão mamária proliferativa com atipias ou neoplasia lobular in situ. No caso da questão, a mãe teve câncer aos 68 anos, o que não enquadra a paciente no grupo de alto risco.

Qual a periodicidade da mamografia para risco padrão?

Para mulheres entre 50 e 69 anos de idade (população de risco padrão), a recomendação do Ministério da Saúde é a realização da mamografia de rastreamento a cada dois anos (bienal). O rastreamento fora dessa faixa etária ou com periodicidade anual para risco padrão não demonstrou benefício claro no balanço entre riscos (como sobrediagnóstico e falsos positivos) e benefícios (redução de mortalidade).

Como manejar o corrimento vaginal acinzentado descrito?

O quadro de corrimento acinzentado com odor fétido (frequentemente descrito como 'cheiro de peixe podre') é sugestivo de Vaginose Bacteriana, causada pelo desequilíbrio da flora vaginal com predomínio de Gardnerella vaginalis e anaeróbios. O diagnóstico clínico é feito pelos critérios de Amsel (pH > 4,5, teste do KOH positivo, presença de clue cells e aspecto do corrimento). O tratamento de escolha é o Metronidazol (oral ou vaginal), e não há necessidade de tratar o parceiro sexual.

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