MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma mulher de 38 anos, nulípara, sem comorbidades conhecidas e sem queixas clínicas, comparece à Unidade Básica de Saúde solicitando exames de rotina. Relata que sua mãe foi diagnosticada com câncer de mama aos 47 anos de idade e sua avó materna faleceu devido a complicações de um câncer de cólon aos 70 anos. Ao exame físico, as mamas apresentam-se simétricas, sem nódulos, retrações ou descarga papilar espontânea; axilas e fossas supraclaviculares sem linfonodomegalias. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde para o rastreamento do câncer de mama, a conduta mais adequada para esta paciente é:
Parente 1º grau com CA mama < 50 anos → Rastreamento anual (ECM + MMG) a partir dos 35 anos.
O Ministério da Saúde define grupos de risco elevado para câncer de mama, exigindo início precoce e maior frequência de rastreamento com mamografia e exame clínico anual.
O rastreamento do câncer de mama no Brasil segue diretrizes que buscam equilibrar o benefício da detecção precoce com os riscos de sobrediagnóstico e sobretratamento. Para a população de risco habitual, o Ministério da Saúde preconiza a mamografia bienal entre 50 e 69 anos. No entanto, a identificação de subgrupos de alto risco é crucial na atenção primária, pois essas mulheres necessitam de uma estratégia de vigilância mais rigorosa. A paciente do caso apresenta um parente de primeiro grau (mãe) diagnosticado com câncer de mama antes dos 50 anos, o que a enquadra formalmente no grupo de alto risco. Para este perfil, a recomendação oficial é a realização do exame clínico das mamas (ECM) e da mamografia (MMG) anualmente, iniciando-se aos 35 anos de idade. É fundamental que o médico assistente realize uma anamnese familiar detalhada para estratificar corretamente o risco e garantir que o rastreamento seja iniciado no momento oportuno, aumentando as chances de cura e permitindo tratamentos menos invasivos.
De acordo com o Ministério da Saúde e o INCA, são consideradas mulheres com risco elevado para câncer de mama aquelas que possuem: 1) História familiar de pelo menos um parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama antes dos 50 anos de idade; 2) História familiar de pelo menos um parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer de mama bilateral ou câncer de ovário em qualquer idade; 3) História familiar de câncer de mama masculino; 4) Diagnóstico histopatológico de lesão mamária proliferativa com atipias ou neoplasia lobular in situ. Para essas mulheres, o protocolo de rastreamento é diferenciado da população geral, visando a detecção precoce em faixas etárias onde a incidência pode ser maior devido à predisposição genética ou familiar.
Existe uma divergência importante entre as diretrizes. O Ministério da Saúde (MS/INCA) recomenda o rastreamento populacional para mulheres de risco habitual entre 50 e 69 anos, com mamografia a cada dois anos. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomendam que a mamografia seja realizada anualmente para todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade. No entanto, para o grupo de alto risco, ambas as instituições concordam na necessidade de antecipação. O MS recomenda que mulheres de alto risco iniciem o exame clínico das mamas e a mamografia anualmente a partir dos 35 anos, enquanto outras sociedades podem sugerir o início ainda mais cedo (10 anos antes do caso mais jovem na família), dependendo da avaliação individual.
Para mulheres com mutações genéticas comprovadas nos genes BRCA1 ou BRCA2, o risco de desenvolver câncer de mama e ovário ao longo da vida é significativamente maior. Nesses casos, o rastreamento é ainda mais intensivo e deve ser individualizado em centros de referência. Geralmente, recomenda-se o início do rastreamento com ressonância magnética das mamas anual a partir dos 25 anos, alternada com a mamografia anual a partir dos 30 anos (para evitar exposição excessiva à radiação em tecidos jovens). Além disso, o exame clínico das mamas deve ser realizado semestralmente. Em muitos casos, discutem-se opções de redução de risco, como a mastectomia profilática e a salpingo-oforectomia bilateral, dependendo do planejamento reprodutivo e das preferências da paciente após aconselhamento genético detalhado.
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