Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Paciente de 45 anos com fator de risco familiar para câncer de mama deseja saber a frequência ideal de rastreio com mamografia. Qual a recomendação atual?
O rastreamento do câncer de mama é uma das políticas de saúde pública mais discutidas. No Brasil, o Ministério da Saúde adota a estratégia de rastreamento oportunista e populacional focado na faixa de maior incidência e mortalidade. A mamografia é o único exame que comprovadamente reduz a mortalidade por câncer de mama quando aplicado em programas de rastreio. Para o médico residente, é fundamental distinguir as recomendações do SUS (bienal, 50-69 anos) das recomendações de sociedades médicas (anual, 40-74 anos), pois as provas de residência costumam especificar qual diretriz seguir ou focar na política pública nacional.
A recomendação de iniciar aos 50 anos baseia-se em evidências científicas que demonstram que, nesta faixa etária, o balanço entre benefícios (redução da mortalidade por câncer de mama) e riscos (falsos-positivos, biópsias desnecessárias e sobrediagnóstico) é mais favorável. Em mulheres mais jovens, o tecido mamário é mais denso, o que reduz a sensibilidade da mamografia e aumenta a taxa de resultados falso-positivos, sem uma redução proporcionalmente significativa na mortalidade em nível populacional.
Para mulheres com risco elevado (ex: história familiar de primeiro grau antes dos 50 anos, mutações genéticas como BRCA1/2, ou radioterapia prévia no tórax), o rastreamento não segue o protocolo populacional de 50-69 anos. Nestes casos, a recomendação é individualizada, geralmente iniciando o rastreio anual a partir dos 35 anos ou 10 anos antes do caso mais jovem na família, podendo incluir outros métodos de imagem como a ressonância magnética das mamas.
Sobrediagnóstico (overdiagnosis) refere-se à detecção de tumores que nunca progrediriam para causar sintomas ou morte durante a vida da paciente. Ao realizar rastreamento em massa, identifica-se lesões de crescimento muito lento ou indolentes. O problema reside no fato de que, uma vez diagnosticados, esses tumores são tratados com cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, expondo a paciente a efeitos colaterais de tratamentos que não trariam benefício real, impactando a qualidade de vida sem alterar a sobrevida.
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