Rastreamento de Câncer de Mama: Recomendações MS/INCA

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020

Enunciado

“O Canadian Radiographic Breast Screening Study: randomised screening trial ” chegou à conclusão de que o screening por mamografia não reduz a mortalidade por câncer de mama nas faixas etárias de 40- 49 anos e de 50-69 anos, após um seguimento de 25 anos de suas 89.835 participantes. Em revisão sistemática de oito estudos randomizados, em 2013, incluindo 600.000 mil mulheres entre 39 e 74 anos, Gøetzche conclui que o malefício causado pelo sobrediagnóstico sobrepõe-se ao benefício da detecção precoce: de 2.000 mulheres submetidas ao rastreamento por 10 anos, uma vai evitar a morte por câncer de mama, mas 10 mulheres saudáveis serão tratadas desnecessariamente e 200 mulheres experimentarão estresse psicológico por conta de falsos positivos no exame”. Sobre o rastreamento de câncer de mama, considerando riscos e benefícios envolvidos, assinale a alternativa correta em relação às recomendações atuais do Ministério da Saúde e Instituto Nacional do Câncer:

Alternativas

  1. A) Mamografia anual a partir dos 40 anos
  2. B) Mamografia bienal para mulheres entre 50 e 69 anos
  3. C) Mamografia bienal a partir dos 40 anos
  4. D) Mamografia anual para mulheres entre 50 e 69 anos

Pérola Clínica

MS/INCA: Mamografia bienal para mulheres de 50 a 69 anos, considerando riscos de sobrediagnóstico.

Resumo-Chave

As recomendações atuais para rastreamento de câncer de mama no Brasil (MS/INCA) priorizam a mamografia bienal para mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos. Essa abordagem visa equilibrar os benefícios da detecção precoce com os riscos de sobrediagnóstico e falsos positivos, que podem gerar ansiedade e tratamentos desnecessários.

Contexto Educacional

O rastreamento de câncer de mama é um tema controverso, com diferentes diretrizes internacionais. No Brasil, as recomendações do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (INCA) são claras: mamografia bienal para mulheres entre 50 e 69 anos. Essa abordagem é baseada em evidências que buscam maximizar os benefícios da detecção precoce, como a redução da mortalidade, enquanto minimizam os malefícios, como o sobrediagnóstico e os falsos positivos. O sobrediagnóstico ocorre quando um câncer é detectado e tratado, mas nunca teria causado sintomas ou ameaçado a vida da mulher. Isso leva a tratamentos desnecessários, com seus respectivos efeitos colaterais e impactos psicológicos. Falsos positivos, por sua vez, geram ansiedade, estresse e a necessidade de exames complementares invasivos, mesmo quando não há câncer. Estudos como o Canadian Radiographic Breast Screening Study e revisões sistemáticas de Gøetzche ressaltam a importância de considerar esses malefícios. Para residentes, é crucial compreender que a prática baseada em evidências no rastreamento de câncer de mama não é universalmente homogênea. As diretrizes brasileiras refletem uma ponderação cuidadosa desses fatores, visando uma política de saúde pública eficaz e segura. É fundamental orientar as pacientes de acordo com essas recomendações, explicando os riscos e benefícios envolvidos para uma decisão informada.

Perguntas Frequentes

Quais são as recomendações atuais do Ministério da Saúde para o rastreamento de câncer de mama?

O Ministério da Saúde e o INCA recomendam a mamografia bienal para mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos.

Por que a mamografia não é recomendada anualmente para todas as mulheres a partir dos 40 anos no Brasil?

A recomendação bienal para 50-69 anos busca equilibrar os benefícios da detecção precoce com os riscos de sobrediagnóstico, falsos positivos e tratamentos desnecessários em faixas etárias mais jovens ou com maior frequência.

Quais são os principais riscos associados ao rastreamento mamográfico?

Os principais riscos incluem sobrediagnóstico, que leva a tratamentos desnecessários para lesões que não progrediriam, e falsos positivos, que causam estresse psicológico e procedimentos invasivos adicionais.

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