Rastreamento de Câncer de Mama: Diretrizes INCA/MS

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Durante a campanha do Outubro Rosa, você recebe um ofício circular da Secretaria de Saúde informando que, tendo em vista o apoio a campanha, a Secretaria contratou empresa que realiza serviços de mamografia e que não haverá restrição no número de exames a serem realizados durante este mês. Muitas mulheres vêm à unidade de saúde solicitar que sejam submetidas à mamografia. Várias delas não estão dentro da faixa preconizada para o rastreamento com o exame e algumas já foram submetidas ao exame no ano passado, estando o resultado sem alteração que sugerisse outra etapa para o rastreamento. Com base no melhor conhecimento científico existente, o médico de família deve:

Alternativas

  1. A) Oferecer o exame para as mulheres dentro da faixa etária e periodicidade preconizadas pelo INCA / Ministério da Saúde.
  2. B) Solicitar mamografia para as pacientes entre 40 e 65 anos e naquelas acima de 65 e abaixo de 40 anos, solicitar ultrassonografia das mamas como rastreamento.
  3. C) Relativizar as informações, porque as condutas recomendadas pelo Ministério da Saúde devem ser aplicadas em situações de recursos escassos e como não há restrição, ampliar a faixa etária para mulheres, a partir dos 40 anos.
  4. D) Aproveitar a oportunidade de não haver restrição na oferta de exames e solicitar mamografia para todas as mulheres que desejam ser submetidas ao exame.

Pérola Clínica

Rastreamento mamográfico → 50-69 anos, bienal, conforme INCA/MS, mesmo com oferta irrestrita.

Resumo-Chave

A oferta irrestrita de exames não deve sobrepor as evidências científicas e as diretrizes de rastreamento. O rastreamento mamográfico deve seguir as recomendações do INCA/Ministério da Saúde para evitar exames desnecessários, que podem levar a falsos positivos, biópsias desnecessárias, ansiedade e sobrecarga do sistema de saúde, configurando um risco de prevenção quaternária.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer de mama é uma estratégia de saúde pública fundamental, visando a detecção precoce da doença em mulheres assintomáticas para reduzir a mortalidade. No Brasil, as diretrizes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde são a base para as políticas de rastreamento. É essencial que os profissionais de saúde compreendam e apliquem essas diretrizes, mesmo diante de campanhas ou ofertas irrestritas de exames, para garantir a qualidade e a segurança da assistência. A fisiopatologia do câncer de mama é complexa, envolvendo fatores genéticos, hormonais e ambientais. O rastreamento com mamografia é eficaz porque pode detectar lesões antes que se tornem palpáveis, aumentando as chances de tratamento bem-sucedido. No entanto, o rastreamento deve ser direcionado à população que mais se beneficia, ou seja, mulheres de 50 a 69 anos, com periodicidade bienal. Fora dessa faixa, os riscos de falsos positivos, sobrediagnóstico e sobretratamento tendem a superar os benefícios, levando à prevenção quaternária. A conduta do médico de família deve ser sempre baseada nas melhores evidências científicas. Mesmo com a disponibilidade de exames, é crucial orientar as pacientes sobre os riscos e benefícios do rastreamento, solicitando a mamografia apenas para aquelas que se enquadram nos critérios estabelecidos pelo INCA/MS. Isso assegura uma prática médica ética e eficaz, otimizando recursos e protegendo as pacientes de intervenções desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Qual a faixa etária e periodicidade recomendada pelo INCA para o rastreamento mamográfico?

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde recomendam a mamografia de rastreamento para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos. Essa faixa etária e periodicidade são baseadas em evidências de custo-efetividade e redução da mortalidade.

Por que não se deve ampliar o rastreamento mamográfico para fora da faixa etária recomendada?

Ampliar o rastreamento para mulheres mais jovens ou mais velhas, ou com maior frequência, aumenta o risco de falsos positivos, biópsias desnecessárias, ansiedade e sobrediagnóstico de lesões indolentes que nunca evoluiriam para câncer clinicamente significativo. Os benefícios não superam os riscos nessas populações.

O que é prevenção quaternária e como se aplica ao rastreamento mamográfico?

Prevenção quaternária é o conjunto de ações para identificar um paciente em risco de iatrogenia médica e protegê-lo de intervenções desnecessárias ou excessivas. No rastreamento mamográfico, aplica-se ao evitar exames e procedimentos (como biópsias) em mulheres que não se beneficiariam do rastreamento, minimizando os danos potenciais de uma abordagem excessiva.

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