Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2020
Paciente, 35 anos, administradora, vem à consulta com o Médico de Família e Comunidade (João) para solicitar um exame para rastreamento de câncer de mama. Paciente: ""Dr, vi as propagandas na televisão sobre o Outubro Rosa e quero fazer uma mamografia."" O MFC, durante a anamnese não encontra nenhum fator de risco cardiovascular ou para câncer de mama. O exame físico de Patrícia está normal. Levando-se em conta a demanda trazida pela paciente e as indicações de rastreio para mulheres nessa faixa etária, qual conduta deve ser sugerida pelo médico?
Rastreamento câncer mama (risco médio): mamografia 50-69a, bienal. Papanicolau: 25-64a, trienal (após 2 normais anuais).
Para mulheres de risco médio, a mamografia de rastreamento é indicada a partir dos 50 anos, a cada dois anos. O Papanicolau é recomendado a cada três anos, após dois exames anuais normais, para mulheres entre 25 e 64 anos.
O rastreamento de câncer de mama e colo de útero são pilares fundamentais da Atenção Primária à Saúde, visando a detecção precoce e a redução da mortalidade. É crucial que médicos, especialmente os de Família e Comunidade, conheçam as diretrizes baseadas em evidências para evitar exames desnecessários e otimizar o uso dos recursos de saúde. A comunicação clara com a paciente sobre os benefícios e riscos do rastreamento é essencial. Para o câncer de mama, as diretrizes do Ministério da Saúde e do INCA recomendam a mamografia de rastreamento para mulheres de risco habitual entre 50 e 69 anos, com periodicidade bienal. Mulheres com fatores de risco específicos (história familiar forte, mutações genéticas) podem ter indicação de rastreamento mais precoce ou com outras modalidades. A mamografia em idades mais jovens para o risco habitual não demonstrou benefício significativo e aumenta o risco de sobrediagnóstico e biópsias. Em relação ao câncer de colo de útero, o rastreamento é realizado pelo exame citopatológico (Papanicolau). As recomendações atuais indicam o início do rastreamento aos 25 anos para mulheres que já iniciaram atividade sexual, estendendo-se até os 64 anos. A periodicidade é anual nos dois primeiros exames e, se ambos forem normais, passa a ser trienal. A educação sobre a importância da vacinação contra o HPV também é um componente crucial da prevenção.
Para mulheres com risco habitual, a maioria das diretrizes, incluindo as do Ministério da Saúde do Brasil, recomenda iniciar a mamografia de rastreamento aos 50 anos de idade, com periodicidade bienal.
Após dois exames anuais consecutivos normais, o Papanicolau pode ser realizado a cada três anos para mulheres entre 25 e 64 anos, conforme as diretrizes nacionais para rastreamento do câncer de colo de útero.
Iniciar o rastreamento mamográfico antes da idade recomendada pode levar a maior taxa de falsos positivos, biópsias desnecessárias, ansiedade e exposição à radiação, sem benefício comprovado na redução da mortalidade para mulheres jovens de risco habitual.
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