Rastreamento de Câncer: Evidências e Recomendações Atuais

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020

Enunciado

Um dos objetivos da medicina consiste em prevenir a doença e descobrir com precocidade para maior efetividade do tratamento. Dentre as recomendações de rastreamento para pessoas assintomáticas, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A radiografia de tórax e citologia de escarro são exames padrão ouro na detecção precoce do câncer de pulmão.
  2. B) A rotina recomendada para o rastreamento do câncer de colo uterino, no Brasil, é a repetição do exame Papanicolau a cada dois anos, após dois exames normais consecutivos realizados com um intervalo de um ano, em mulheres com idade entre 25 e 64 anos e que já tiveram atividade sexual.
  3. C) Para a detecção precoce do câncer de cólon, a pesquisa de sangue oculto nas fezes está proscrita, sendo recomendado, a colonoscopia.
  4. D) Não foi possível demonstrar que o rastreamento do câncer de próstata com a dosagem sérica do antígeno prostático específico diminua mortalidade ou seja capaz de aumentar sobrevida.

Pérola Clínica

Rastreamento de câncer de próstata (PSA) não demonstrou redução de mortalidade ou aumento de sobrevida.

Resumo-Chave

A eficácia do rastreamento do câncer de próstata com PSA é controversa. Estudos não demonstraram benefício claro na redução da mortalidade por câncer de próstata ou na sobrevida geral, devido ao alto risco de sobrediagnóstico e sobretratamento, com seus consequentes efeitos adversos.

Contexto Educacional

O rastreamento de câncer em pessoas assintomáticas visa a detecção precoce de lesões pré-malignas ou câncer em estágios iniciais, com o objetivo de reduzir a mortalidade e melhorar o prognóstico. No entanto, nem todos os métodos de rastreamento são eficazes ou isentos de riscos, e as recomendações são baseadas em evidências científicas robustas. A eficácia do rastreamento do câncer de próstata com a dosagem sérica do Antígeno Prostático Específico (PSA) é um tema de grande debate. Grandes estudos randomizados não conseguiram demonstrar uma redução significativa na mortalidade por câncer de próstata ou um aumento na sobrevida geral com o rastreamento universal, principalmente devido ao alto índice de sobrediagnóstico e sobretratamento de cânceres indolentes, que não causariam danos ao paciente. Para residentes, é fundamental conhecer as diretrizes de rastreamento baseadas em evidências para diferentes tipos de câncer, como colo uterino (Papanicolau), mama (mamografia) e cólon (colonoscopia ou pesquisa de sangue oculto nas fezes), e entender as limitações e os potenciais malefícios de rastreamentos não comprovados, como a radiografia de tórax para câncer de pulmão em população geral ou o PSA sem indicação precisa. A tomada de decisão compartilhada com o paciente é crucial.

Perguntas Frequentes

Quais são as recomendações atuais para o rastreamento do câncer de próstata?

As diretrizes atuais são controversas. Muitos órgãos de saúde não recomendam o rastreamento universal com PSA devido à falta de evidências de redução de mortalidade e ao risco de sobrediagnóstico e sobretratamento. A decisão deve ser individualizada e compartilhada com o paciente.

Qual a recomendação para o rastreamento do câncer de colo uterino no Brasil?

No Brasil, o rastreamento do câncer de colo uterino é recomendado para mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual, com a repetição do Papanicolau a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados com intervalo de um ano.

Por que a radiografia de tórax e citologia de escarro não são padrão ouro para rastreamento de câncer de pulmão?

A radiografia de tórax e a citologia de escarro não se mostraram eficazes na redução da mortalidade por câncer de pulmão em estudos de rastreamento. A tomografia computadorizada de baixa dose é o método recomendado para rastreamento em grupos de alto risco.

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